quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Budismo e Cristianismo


"Na sua essência, o cristianismo, juntamente com o judaísmo e o islamismo, são classificados como religiões reveladas: em que Deus fala aos homens. Uma religião revelada é caracterizada pela livre comunicação salvadora que Deus faz de si mesmo ao homem pecador, em Cristo, pela comunicação pessoal e, ao mesmo tempo, comunitária (Igreja).
Já o budismo situa-se no grupo das religiões classificadas como salvíficas. São aquelas religiões portadoras dos meios de que o homem precisa para salvar-se dos sofrimentos presentes e conseguir a felicidade. Neste grupo encontram-se, além do budismo, o confucionismo, o taoísmo, o hinduísmo. Estas religiões, como o fizeram Zaratustra, alguns filósofos gregos e profetas judeus, que, espiritualizando e aprofundando o pensamento, abriram caminho a uma religiosidade, ao mesmo tempo pessoal e universal.
O cristianismo, fiel à tradição do pensamento religioso ocidental, considera o homem inteiramente dependente da graça de Deus ou da Igreja, na sua qualidade de instrumento terreno exclusivo da obra da redenção sancionado por Deus. O homem é infinitamente pequeno, um quase nada, enquanto a graça de Deus é tudo. E esta graça vem de fora. Provém de uma outra fonte: Deus. No cristianismo, o homem procura conciliar os favores de Deus mediante o temor, a penitência, as promessas, a submissão, a auto-humilhação, as boas obras e os louvores. Se modificarmos um pouco a fórmula e em lugar de Deus colocarmos outra grandeza, como, por exemplo, o mundo, o dinheiro, teremos o quadro completo do homem ocidental zeloso, temente a Deus, piedoso, humilde, empreendedor, cobiçoso, ávido de acumular apaixonada e rapidamente toda a espécie de bens deste mundo tais como riqueza, saúde, conhecimentos, domínio técnico, prosperidade pública, bem-estar, poder político, conquistas etc. Quais são os grandes movimentos propulsores de nossa época? Justamente as tentativas de nos apoderarmos do dinheiro ou dos bens dos outros e de defendermos o que é nosso. A inteligência se ocupa principalmente em inventar ’ismos’ adequados para ocultar seus verdadeiros motivos ou para conquistar o maior número possível de presas. O budismo, seguindo a tradição oriental, sublinha o fato de que o homem é a única causa eficiente de sua própria evolução superior. Ao contrário do cristianismo, acredita na “auto-redenção”, ou seja, o homem é Buda e se salva por si próprio.
O budismo se baseia na realidade psíquica enquanto condição única e fundamental da existência. A psique é o elemento mais importante, é o sopro que tudo penetra, ou seja, a natureza de Buda; é o espírito de Buda, o Uno, o Dharma-kaya. Toda vida jorra da psique e todas as suas diferentes formas de manifestação se reduzem a ela. É a condição psicológica prévia e fundamental que impregna o homem em todas as fases de seu ser, determinando todos os seus pensamentos, ações e sentimentos."
Texto cedido pelo Bloco da BSGI Parc des Prince, Barra

sábado, 24 de janeiro de 2009

Estudo, prática e fé, o tripé do Budismo


"É importante notar que os ensinamentos de Sakyamuni não são, em sentido nenhum, um sistema de conhecimentos intelectuais ou um conjunto de fatos. Na verdade, constituem expressão de sabedoria voltada para questões tais como a maneira como o homem deve viver ou qual a causa do sofrimento humano. À medida que recebiam do Buda os ensinamentos, os discípulos passavam a pô-los em prática em sua própria vida, e desta maneira, um após outro, confirmavam a verdade e validade das palavras de Sakyamuni.
Os ensinamentos do Budismo, nunca é demais lembrar, devem ser dominados subjetivamente através de prática concreta. Ninguém poderá jamais compreende-los sentando-se a uma escrivaninha ou lendo um livro. Só através do intercâmbio que ocorre entre uma pessoa e outra, entre uma força vital e outra, podem essas verdades ser aprendidas. Essa condição deve ser conservada em mente quando se estudam as escrituras budistas, que representam a corporificação dos ensinamentos e da sabedoria. (Budismo – O Primeiro Milênio págs.17 e 18 – Daisaku Ikeda).
O Budismo frisa a necessidade de se lerem ou recitarem os sutras com as três atividades do “corpo, boca e mente”. Em outras palavras, o importante não é aborda-los como se constituíssem um conjunto de conhecimentos intelectuais, mas descobrir como pode o indivíduo transformar os ensinamentos do Buda em parte do seu ser e colocá-los em prática concreta. (Budismo – O Primeiro Milênio pág. 20 - Daisaku Ikeda).
A grandeza do Budismo está na capacidade de permitir-nos olhar para além do presente limitado e infeliz, em direção ao ilimitado e feliz futuro, com base nas causas que criaremos a partir da nossa fé no Gohonzon. (END – Resposta a Dama Nitinyo – pág. 148.)
Fonte - Paulo Bruno & Doralice / VMA/ Bloco Parc des Prince, da BSGI

sábado, 17 de janeiro de 2009

Itiguen No Kame (Tartaruga de um olho só)


"Uma alusão no capítulo Myoshogonno (27º) do Sutra de Lótus, que afirma ser o fato de encontrar o budismo, algo tão raro quanto uma tartaruga de um olho só achar um tronco de sândalo, com uma concavidade do tamanho exato para comportá-la, flutuando na água. O sutra Nirvana usa o mesmo símbolo, para expressar a raridade de se nascer como humano e encontrar o budismo. A história por trás dessa referência está na parábola da tartaruga cega, que consta no Sutra Zo-agon. Uma tartaruga cega, cuja extensão de vida é de imensuráveis Kalpas, vive no fundo do mar. Uma vez a cada cem anos, ela sobe a superfície. Há somente um tronco flutuando no mar com uma cavidade adequada. Como a tartaruga é cega e o tronco é arremessado à mercê das ondas, a possibilidade de a tartaruga encontrar a madeira é extremamente remota. É ainda mais raro, diz Sakyamuni, nascer como ser humano; tendo conseguido isto, a pessoa deve usar a oportunidade para dominar as quatro nobres verdades e alcançar a libertação.
Uma versão bem mais elaborada dessa história consta no Matsuno Dono Goke- ama Gozen Gohenji (A tartaruga de um olho e o tronco flutuante de sândalo) de Nichiren Daishonin, onde é empregada para mostrar a dificuldade de se encontrar o Daimoku do Sutra de Lótus. A tartaruga, neste caso, é retratada como possuidora de um olho só e destituída de membros. Sua barriga é tão quente quanto o ferro em brasa e suas costas, tão fria quanto as montanhas nevadas. Há uma árvore de sândalo vermelho sagrado que pode esfriar a sua barriga. Noite e dia, a tartaruga anseia achar o tronco de sândalo, para que ela possa esfriar a sua barriga em sua concavidade enquanto aquece as suas costas sob o sol. Contudo, ela só pode subir à superfície uma vez a cada mil anos, e mesmo que por acaso consiga encontrar um tronco flutuante nessa ocasião, este pode não ser o sândalo vermelho. Mesmo que ela encontre um tronco de sândalo vermelho, este dificilmente possui uma cavidade, e mesmo que possua, a abertura raramente será do tamanho certo para acomodá-la. E, mesmo que ela seja feliz o bastante para encontrar o tronco ideal, como a tartaruga possui um olho só, não é capaz de seguir a direção correta. Nichiren Daishonin interpreta o mar como sofrimentos de nascimento e morte, e a tartaruga como toda a humanidade. O fato de não possuir membros indica a ausência de boa sorte acumulada em existências prévias, o calor de sua barriga representa os oito infernos quentes e o frio de suas costas, os oito infernos gelados. Ter um olho só indica a percepção distorcida que enxerga ensinos inferiores como sendo superiores e vice-versa. A capacidade de subir à superfície apenas uma vez a cada mil anos mostra o quanto é difícil emergir dos estados inferiores e nascer humano e, principalmente, nascer numa era em que o Buda fez o seu advento. Os troncos flutuantes, que não são sândalo, simbolizam os ensinos provisórios que são, comparativamente fáceis de encontrar, e o sândalo vermelho é o Sutra de Lótus. A concavidade de tamanho apropriado no tronco é o âmago do sutra, o Nam-myoho-renge-kyo. "
( T. C. nº 297 - pág. 21/22 - 4/93 ) H.L.M.
Seleção de texto: Doralice e Paulo Bruno.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

A importância da Determinação


"Quando sua determinação muda, tudo começa a mudar na direção do seu desejo. No momento em que você resolve ser vitorioso, todo o seu ser imediatamente se prepara para o sucesso.
Por outro lado, se você pensa: isso nunca vai acontecer, naquele momento, todo o seu ser desiste e para de lutar. E assim tudo se movera no sentido da derrota.
Prestem atenção à sutileza da mente humana. A maneira que você programa sua mente, a atitude que você tem, influencia diretamente a sua vida e o seu meio ambiente.
O princípio budista que ressalta que em um único momento da vida contém três mil mundos e elucida o aspecto verdadeiro do poder da vida. Por meio de uma firme resolução, nós podemos transformar nossas vidas, aqueles à nossa volta e o lugar em que vivemos.Todos nós temos essa arma secreta. Não há tesouro maior.
Muitas vezes oramos e desistimos quando as coisas não acontecem da maneira que queremos. Mas, com que atitude estamos praticando?
Devemos lutar com determinação por nossos sonhos. Nunca fazer nada pela metade. Se em seu coração você acredita que não vai conseguir, então você não conseguirá.
É muito importante nossa atitude perante o Gohonzon. A solução para tudo é o Daimoku, e se você não credita nisso, recite até acreditar. Recite para ter coragem de agir. Tudo de que você precisa está dentro de você. Por isso recite o Daimoku para extrair toda a sua força interior.
Não se deixe enfraquecer, lute até conseguir. Mesmo que você caia 5 vezes, levante-se 6. Nunca desista de lutar por seus objetivos. Nós podemos mudar qualquer coisa, podemos mudar o nosso hoje e o nosso amanhã. Devemos ser corajosos, devemos desafiar aquilo que pensamos não ser possível de conseguir. Se nunca desafiarmos o impossível, nunca conheceremos o verdadeiro poder do Nam-myoho-renge-kyo.
Nossos sonhos só podem ser realizados por nós mesmos. Recitar Daimoku é a chave de tudo. O Daimoku equilibra o nosso dia-a-dia e nos permite ser vitoriosos em tudo o que fazemos."

Fonte: Brasil Seikyo, edição no 1.438, 15 de novembro de 1997, pág. 3.) Texto cedido pelo Bloco Parc Des Prince, Barra, RJ. Ilustração: Wanderlei Carbone

domingo, 4 de janeiro de 2009

Agradeça pelo Daimoku de cada dia


"Temos de agradecer a cada dia por temos tido a chance de encontramos o Daimoku em nossa vida. Veja as palavras de Nichiren Daishonin:
"Suponha que alguém arremesse uma linha do topo do Monte Sumeru de um outro mundo tentando passá-la pelo furo de uma agulha colocada no topo do Monte Sumeru deste mundo em um dia de forte ventania. É mais fácil passar a linha pela agulha nessas condições do que encontrar o Daimoku do Sutra de Lótus. Assim, ao recitar o Daimoku, esteja certo de que é uma alegria maior do que um cego tornar-se capaz de ver seus pais pela primeira vez, e mais raro do que um prisioneiro de um forte inimigo ser libertado e reunido com sua esposa e filhos.”
Gratidão é o que sentimos de imediato assim que sentamos para orar diante do Gohonzon, pela sorte de podermos, com o Daimoku, elevar cada vez mais nosso estado de vida, nos tornando pessoas melhores e mais felizes!"
Texto cedido pelo Bloco da BSGI Parc des Prince, Barra

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Meu Butsudan

O post de hoje não é texto, e sim fotos. Assim que decidi abraçar o Budismo e receber meu Gohonzon, resolvi eu mesmo fazer o meu Butsudan, e aqui apresento o resultado.





2009

2013

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Meu primeiro relato

O post dessa vez é um relato meu. Na verdade, meu primeiro relato. Comecei no Budismo de Nitiren Daishonin em Fevereiro de 2008. As minhas primeiras reuniões foram num bloco na Barra da Tijuca, RJ. Baseado no que se falava nas reuniões, comecei no estudo dessa filosofia maravilhosa, pois eram muitas perguntas no início.
Tive a sorte do Luciano, instigar o meu espirito de procura e me alimentar com muitos textos.
Meu relato, na verdade é em 2 partes, antes do Gohonzon e depois.
Junto com o estudo, comecei a praticar firme e regularmente. Fazia todos os dias Daimoku pela manhã e pela noite, olhando para um ponto na parede. Não sabia ainda qual era a liturgia, o que era Gongyo ou Sancho. Eu sabia que tinha de repetir Nam myoho rengue kyo sem parar, e era o que eu fazia.
A minha primeira determinação foi algo meio inconsciente. Eu sou skatista das antigas, um dos precurssores no Brasil e trabalho com skate na TV ha mais de 20 anos. No ano passado fui para os Estados Unidos gravar alguns campeonatos em pistas de skate, e me chamou a atenção como estava crescendo a categoria chamada Old School ou Masters com os skatistas mais velhos, muitos com mais de 40 anos de idade. No Brasil a coisa do Old School também já estava acontecendo e desejei poder estar dentro de alguma maneira. Olha que me chega um email do editor de uma revista de Skate que queria fazer uma matéria comigo para uma edição especial sobre Old School, só com skatistas com mais de 30 anos!!! Eu disse que tinha mais de 50! "Mas você tem de fazer parte da revista, pois você é parte da história do skate nacional e tal..." foi a resposta. É claro que topei, né? Fiz a entrevista e as fotos. Foi muito legal, pois tinha tempo que eu não fotografava. Ainda não havia ligado isso ao Daimoku, eu só tinha ido a umas 3/4 reuniões na casa Ana. O bloco logo se multiplicou e eu acabei indo para o recém formado Bloco Mandala, também na Barra.
Foi lá que a Monica me deu o livrinho com o Gongyo. Aprendi a liturgia completa e comecei a recitar em casa além do Daimoku, também o Gongyo todos os dias pela manhã e à noite. Num belo dia chega um email de um outro amigo que trabalhava na mesma revista que tinha me entrevistado e me diz assim: "se liga mané, vc é a nova capa da SKT! Parabéns!" Foi aí que a ficha caiu!



Depois dessa rapidinho fui receber o meu Gohonzon, que aconteceu no dia 22 de maio de 2008!
Aí vem a segunda a parte do relato.
Ia acontecer um campeonato de Old School no Rio Grande do Sul numa pista de skate nova, no tipo de terreno que eu gosto de andar. Eu estava numa maré de pouco dinheiro mas queria de qualquer maneira participar desse evento. Então eu sentei em frente ao Gohonzon e determinei: "Vou prá esse campeonato e de graça, sem gastar nada." E atacava de Nam myoho rengue kyo direto, só desafiando, "eu vou, e vou de graça sem gastar nada." Numa troca de emails entre o pessoal que ia correr o campeonato começou a surgir uma tal "vaquinha" pra trazer o Cesinha" pois sendo eu o mais velho tinha de estar lá e coisa e tal. Bom... E eu só no Daimoku. "Vai dar certo!" Nam myoho rengue kyo. Um dia, recebo um email de um amigo que não tinha notícias há mais de uma década, dizendo: "Cesinha véio, o alemão pagou prá tu vires .... anota o número do PTA!!!" Aí foi tudo show! Corri o campeonato, fiquei em 11º, deixando 13 jovens para trás. Ainda falei de budismo para algumas pessoas, duas delas já são chakubukus meus, um em São Paulo e outro em Santa Catarina.
Para quem tiver curiosidade de ver como foi esse campeonato, aqui tem um link para um programa que passou na ESPN.