terça-feira, 15 de novembro de 2011

Dúvida no Gongyo!

Devido a uma dúvida que eu tinha em relação ao livro da Liturgia da BSGI, resolvi entrar em contato com a organização para que me esclarecessem.
Havia reparado na edição da BSGI, no final da 1a parte do Gongyo, que a grafia estava diferente em relação a outras fontes da SGI onde se lê , "FU-SHU-BU-SETSU", no qual na versão brasileira aparece como "FU-SHU-BU-SE" - sem o "TSU".
Eu havia perguntado a alguns dirigentes a razão da diferença da grafia e me disseram ser algo em relação à pronúncia em português.

Sempre ouvi que cada caractere do Gongyo é um Buda, e na exposição do Sutra do Lótus aqui no Rio de Janeiro, isto ficou claro para mim. Lá vi um grande banner com o Sutra e ao lado de cada caractere havia um desenho com a representação de um Buda.

Bem vamos aos fatos, reparem nos destaques das ilustrações:

Liturgia da BSGI, no final da 1a parte do Gongyo:


Livro Preleção dos Capítulos Hoben e Juryo, do Pres. Ikeda:



Learning CD da SGI (EUA), que é próprio para treinamento de Gongyo:

Liturgia que ganhei quando estive na SGI em Portand:



Wallace Moura, da Coordenadoria do Rio de Janeiro, entrou em contato com a BSGI em São Paulo, e me enviou a resposta do Sr. Paulo Endo, Coordenador de Estudos do Budismo da BSGI. Posto aqui, para que outras pessoas que tenham a mesma dúvida, entendam a razão da diferença das grafias.
"Oi, boa tarde!
Na verdade, não há muito com que se preocupar. Tanto em uma leitura como em outra, não está sendo truncada nenhuma sílaba. Ao se ler sílaba a sílaba, de fato, o mais correto seria da forma que está escrito no livro PHJ, isto é:
...Fu-shu-bu-setsu. Sho-i-sha-ga....
Ocorre que a sílaba tsu não é lida de forma tão acentuada. É como se fosse um tsu mudo. Na palavra setsu a sílaba acentuada é o se . Portanto, embora seja difícil representar aqui por e-mail, a leitura seria algo do tipo SEts
E, no contexto da recitação do Gongyo, esse tsu mudo acaba se interligando a palavra seguinte Sho-i-sha-ga e acaba ficando algo como Sê (ts) - Sho ficando mais próximo do Sê-Sho-- como está no livro da liturgia.
É claro que se a leitura for efetuada de forma lenta e pausada, sílaba por sílaba (o que na prática acaba não acontecendo durante a recitação do Gongyo), pode ser pronunciado como
Fu-shu-bu-setsu. Sho-i-sha-ga.
Não sei se consegui me expressar de forma satisfatória... Claro que, se for falada, a explicação seria mais fácil de entender....
Abraços,
Endo"

Deixo aqui meus agradecimentos ao Sr. Paulo Endo por sanar tal dúvida e espero que sua orientação ajude para cada vez mais nos imbuirmos com a essência do Sutra do Lótus, Nam-myoho-renge-kyo.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Gráfico Gohonzon

Acabei de completar a tradução de mais um dos belíssimos gráficos do Daimoku Charts. Dessa vez é sobre o Gohonzon que conta com ilustrações de algumas das funções do Universo e de nossas vidas. 
Para preencher é ir marcando a cada 15 minutos de Daimoku. Cada pedra vale uma hora de prática e ao término completa-se meio milhão de Daimoku!



Para baixar em tamanho original, click na foto e salve com o botão direito do seu mouse.


segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Relato

Hoje posto o relato que dei durante a Reunião de Palestra do Bloco Village, em Jacarepaguá, Rio de Janeiro. Gostaria de mais uma vez agradecer aos responsáveis pelo Bloco e a BSGI pela oportunidade.

Boa noite a todos!
Para quem não me conhece sou o Cesinha Chaves, pai da Alice, que hoje tem 13 anos e dono do Ziggy e Bob, dois cachorros que são como filhos, só que em versão canina.
Recebi o Gohonzon dia 22 de maio de 2008 e 
hoje posso afirmar com toda certeza que a prática do Budismo de Nichiren Daishonin é algo que me transformou de tal maneira que eu passei a dividir a minha vida em AB e DB: Antes do Budismo e Depois do Budismo. 
No livro Fundamento do Budismo tem um trecho que diz assim:
“Nichiren Daishonin esclareceu Três Provas que proporcionam um claro padrão para julgar a validade das religiões:
Prova Documental, Prova Teórica e Prova Real.
Prova Documental é se os ensinos estão de acordo com os sutras.
A Prova Teórica é baseada na razão lógica, se os ensinos são compatíveis com a razão.
A Prova Real serve para medir se os ensinos confirmam resultados reais quando colocados em prática.
Todos nós, principalmente quando estamos começando, queremos ver a tal da prova real logo para comprovar a veracidade dos benefícios da prática do Nam-myoho-renge-kyo.
A minha 1a prova real veio estampada e foi antes de eu receber o Gohonzon.
Apesar de sempre trabalhar com skate em revistas e na na TV eu estava meio com saudade de participar do outro lado do cenário, não apenas escrevendo, filmando e editando. Nessa época o movimento old school, que foca nos precursores do esporte, estava começando a surgir aqui pelo Brasil, e me deu vontade de me envolver de novo como skatista. Foi com assim que acabei conseguindo a minha 1ª capa, e aos 52 anos de idade!!!
O relato que quero dividir com vocês é de uma conquista recente, mas que demorou para que eu conseguisse realizar o que havia determinado - e principalmente como eu havia determinado.
Quando conheci o Budismo de Nichiren eu me encontrava em pleno estado de tranquilidade. Sou nascido e criado na Urca, depois me mudei para a Barra e posteriormente para o Itanhangá, para uma bela e enorme casa, junto com minha esposa, minha filha, minha mãe, a cachorrinha dela e os 2 cachorros, que vieram depois.
Vivemos por alguns anos uma vida boa, sem muitas preocupações.
Como diz o princípio da intemporariedade, nada é para sempre, e depois de alguns anos minha mãe veio a falecer, e logo no ano seguinte, foi a vez do meu casamento acabar.
Não foi nada traumático, que envolvesse brigas, simplesmente a paixão entre nós como casal já não existia mais.
Só havia cumplicidade, amizade, respeito, mas não amor, que havia se extinguido.
Morávamos bem numa casa enorme, cada um com seu espaço próprio e dividíamos as tarefas em relação à filha.
Ou seja, estava empurrando a vida com a barriga.
Bem vamos a parte prática do relato.
A solução para continuarmos a seguir com as nossas vidas era vender a casa e dividir metade para cada um.
Só que a casa tinha algumas situações, digamos, peculiares, que dificultavam a venda: não tinha o habite-se, nem o projeto original da obra concluída.
Na época da compra eu não estava preocupado com isso pois aquela era a casa dos meus sonhos e eu pretendia morar nela até o fim da vida.
Mas a vida dá voltas.
Muita gente falava que seria difícil de vender a casa, que eu deveria abaixar o preço para facilitar e tal.
Vários corretores levavam clientes que visitavam a casa e gostavam, mas todos esbarravam no “habite-se” e desistiam da compra.
Mas eu sabia que a casa seria vendida, pois eu sempre dizia que existe um pessoa que está procurando uma casa assim como essa e vai comprar na mesma situação que eu comprei, só tenho de achar essa pessoa para que ela compre a casa e seja tão feliz ou mais do que eu fui aqui!
Essa era a minha principal determinação ao Gohonzon.
Orava para achar essa família para que comprasse a casa para que eu e a minha ex pudéssemos seguir com as nossas vidas.
Além disso eu queria continuar morando em casa - nada de apartamento!
Para encurtar a história, depois de muitas visitas e muitas desistências a pessoa que estava procurando pela minha casa apareceu, e vendi nas condições que determinei, pelo preço que determinei, e sem o “habite-se”!
Essa já foi uma grande conquista!


Depois de achar o comprador para a casa eu precisava de uma nova morada. E determinei que iria morar numa casinha perto da escola da minha filha, e assim foquei no novo objetivo.
A minha ex, conseguiu logo comprar um apartamento ótimo na rua da escola da nossa filha!
E ainda me passou o contato de umas casas em uma vila na mesma rua, só que para alugar!
Fui ver e as casas eram ótimas, com quintal e tudo, perfeito pra mim e os cães.
E do lado da escola da Alice!
Continuei no Daimoku focando na casa da Vila da Rua Araguaia.
Bem, vou dar outra encurtada, para não tomar muito tempo da nossa reunião. Nessa ocasião eu não consegui alugar nenhuma daquelas casas naquela vila. Aliás não conseguia alugar nenhuma casa, diga-se de passagem.
O prazo para a entrega das chaves estava acabando e eu tinha de sair e entregar o imóvel, mas ainda não havia encontrado onde iria morar!
No dia que completei esse gráfico abaixo, marcando um milhão de Daimoku eu peguei as chaves de um apartamento de 2 quartos com 80 m2 bem perto da escola da Alice.


Eu estava ficando sem alternativa devido ao tempo e como o meu objetivo nunca foi morar em apartamento, fechei meio que contra a vontade um contrato de aluguel por 30 meses e me mudei.
Quando saí do desconsagrei o Gohonzon por causa da mudança, que foi numa sexta.
No Sábado passei o dia fora trabalhando e Domingo não era permitido fazer barulho devido as normas do condomínio, então eu não pude fixar o Butsodan na parede.
Fiz a minha prática com o Butsodan fechado, com o Gohonzon lá dentro, enrolado na caixinha.
Foi assim que, decidi que não iria ficar ali por muito tempo, que esse apartamento era só um pequeno intervalo no meu caminho e que eu conseguiria morar numa casa numa vila muito em breve.
Na 2a feira tomei a decisão que iria ficar naquele apartamento apenas o tempo suficiente para achar a minha casinha perto da escola da Alice.
Ainda determinei que não iria pagar a multa da rescisão do contrato, que era de 3 vezes o valor do aluguel.
Coloquei provisoriamente o Butsodan em cima num móvel, consagrei o Gohonzon, e comecei perseguir o meu novo objetivo e com essa certeza, continuei com a minha prática diante ao Gohonzon, sempre como água corrente, contínua e sem interrupção. Isso é algo que sempre fiz questão manter como meta, de nunca deixar de fazer as práticas da manhã e da noite, independente da situação que me encontre!
Para encurtar pela última vez, pois o meu tempo já está se esgotando,
estou morando na Rua Araguaia, numa casinha com quintal.
Não naquela vila do início da história, mas numa outra vila que fica ainda mais perto ainda da escola da Alice! 

Afinal eu foquei no Daimoku como meu objetivo a “casa da Vila da Rua Araguaia”, só não havia especificado qual, pois nessa rua existem 3 vilas diferentes!
Isso é a boa sorte ou não?
=)
E detalhe, saí do apartamento sem pagar a multa da rescisão do contrato e o aluguel da casa da vila é a metade do pagava no apartamento.

Cesinha Chaves 24 de setembro de 2011

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Budismo e Skate

Há tempos que estava pensado em escrever sobre a relação entre Budismo e Skate, principalmente pelo fato de para se andar bem é necessário se viver no Aqui e Agora - sempre!
Comecei a rabiscar algumas coisas... mas acabei deixando de lado e perdendo as anotações. Aí vem o Rennê e manda essa no site da Pense Skate - muito bem mandada por sinal!!! Esse é o meu Shakubuku!!!



"A sabedoria de cair e levantar

Há algum tempo venho refletindo sobre a similaridade entre os ensinamentos que o skate e a prática budista possuem em comum.

 Mais do que cair e levantar, no skate você aprende a tentar. E tentar faz toda a diferença. Tentando você pratica o exercício da determinação, da auto-confiança, da coragem.


Praticando budismo você começa a perceber que tudo depende, acima de tudo, de você. A derrota está na sua mente, assim como a vitória. É você quem cria. 


No skate a gente logo percebe que errar faz parte do jogo e somente assim, se arriscando, que você evolui e aprende novas manobras. 


No budismo, da mesma forma, você começa a entender que os obstáculos da vida estão ali justamente para que você possa saber usá-los e retirar o melhor proveito deles, tornando-se assim uma pessoa melhor no universo.


No skate não adianta você ver revistas e vídeos se não for para a pista andar, praticar.


No budismo, a prática, junto com a fé o estudo formam um tripé fundamental.


No skate, você deve estar sempre de bem com a vida, tranquilo, com a cabeça desencanada para poder aproveitar a sessão e tudo que ela tem a te oferecer.


Com a prática budista você percebe o quanto você é capaz de influenciar o ambiente e as circunstâncias em que se encontra e por isso é fundamental cuidar da sua mente e de suas ações no dia-a-dia.


No skate, quantas vezes você sai pra dar um rolé despretensioso, sozinho e aquilo acaba se tornando um dia divertidamente inesquecível na companhia de amigos.


Na visão budista, nada acontece por acaso. Mais do que isso, você começa a entender que a sua relação cármica com as pessoas e os ambientes existem há unidades de tempo pouco mensuráveis e isso faz toda diferença na sua vida.


Na sessão de skate, pouco se quer saber onde o brother mora, sem tem dinheiro, se anda bem ou mal, trabalha, usa drogas, mora na sul ou na norte, tem patrocínio ou é crente. Todo mundo anda junto e misturado e essa diversidade gera uma química muito forte.


No budismo, todos possuem o Estado de Buda. Sem exceção. Todos tem as mesmas condições de alcançar esse estado supremo de vida e por isso há um repeito e consideração enorme pelo outro, gerando relações muito mais humanas.


No skate, você jamais esquecerá a primeira vez em que subiu em cima de um e provavelmente o amigo que te apresentou se tornará uma pessoa sempre lembrada, pra sempre.



No budismo você também acaba tendo uma profunda gratidão a pessoa que te apresentou a Lei Mística e certamente também vai lembrar dela e considerá-la pelo resto da vida.


Tenho a impressão de que se não fosse 3h40 da manhã e amanhã não houvessem tantos compromissos eu poderia ficar aqui mais um pouco só provocando relações entre a prática budista e a prática do skate.
O mais importante foi perceber o quanto ainda tenho a aprender com essas duas filosofias de vida."
Rennê Nunes
Publicado no site Pense Skate

domingo, 10 de julho de 2011

Determinação


Hoje um texto que que retirei no Facebook da Paula Zajdenverg pois achei sensacional e muito revelador sobre a nossa prática diária.



"Nichiren Daishonin afirma que:
A determinação, ou itinen, é algo que não pode faltar pois é o que possibilita a transformação de toda as circunstâncias a nossa volta.
Uma firme oração com a decisão de vencer qualquer obstáculo já é um grande passo para a vitória.
A sinceridade e a seriedade também são fundamentais.
As verdadeiras intenções, o que está no coração é o que direciona nossa mente e isso reflete em nossa vida como um todo.
Com que postura recitamos o Gongyo?
Será que o fazemos com o sentimento de estarmos participando de uma importante cerimônia diante do Buda Original?
Será que proferimos cada uma das palavras corretamente ou “fazemos de conta” que estamos realizando o Gongyo?
Como é o nosso Daimoku?
Será que realmente recitamos o “Nam myoho renge kyo”, como aprendemos ao iniciarmos a pratica ou é só “algo” parecido com isso?
O que se passa em nossa mente quando oramos?
Todas as contas para pagar, o barulho da televisão, a poeira sobre os móveis, a posição das velas, ou realmente conseguiu ver a sua vida refletida no Gohonzon?
Com os ombros curvos e as mãos caídas, balançando as pernas, ou sentamo nos eretos, com as mãos firmemente unidas e olhando diretamente ao Gohonzon?
E o que enxergamos diante de nós?
Um simples pedaço de papel escrito ou significado de nossa existência e a nossa missão como Bodhisattvas da Terra?"
Fonte - Paula Zajdenverg, membro da BSGI

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Budismo e a doutrina cristã da criação

Esse texto foi retirado do site As Mais Belas Histórias Budistas. Mais uma vez sou grato ao Sandro que mantém o site pelo precioso conteúdo de suas postagens.

"Budismo e a doutrina cristã da criação. Qual foi o início?
Por Greg Martin, Editor Assistente

Como foi criado o mundo, em outras palavras, o universo? Esta interrogação tem mantido perplexos aos seres humanos através de todos os tempos. A mitologia, a ciência e a religião nasceram dessa permanente busca.


Os dez primeiros capítulos da Bíblia, Gênesis 1-10 formam a pedra angular das três principais tradições religiosas do ocidente – judaísmo, cristianismo e islamismo. Eles nos relatam a história da Criação. Deus criou o universo e tudo o que nele existe, incluindo a terra, o céu, a luz, as plantas e os animais, em seis dias, descansando no sétimo dia. Ele criou o primeiro homem, Adão, soprando a alma ao pó para depois dar-lhe como morada o Jardim do Éden. Deus criou a primeira mulher, Eva, da costela de Adão, para proporcionar-lhe uma companheira.

Enganada por uma serpente, Eva desobedeceu as ordens dadas por Deus ao comer a maçã da árvore do conhecimento do bem e do mal. Ao mesmo tempo, ela convence Adão para que faça o mesmo. O castigo infringido por Deus a condena ao alumbramento com dor e à servidão ao marido. Deus expulsa ambos do Jardim.
Transcorreram várias gerações e Deus não estava feliz com os resultados de sua criação, particularmente porque a maldade imperava no mundo. Disse-lhe a Noé que construísse uma grande embarcação, e colocasse nela casais de todos os animais que habitavam a terra e a sua família. Depois provocou uma grande inundação que exterminou todos os seres vivos da face da terra. Após 150 dias as águas se retiraram e a embarcação de Noé ficou depositada no topo do Monte Ararat. Um novo começo se inicia para a humanidade a partir dos descendentes de Noé. Estes são os pontos básicos da historia da criação, tal como a relata o livro do Gênesis. Deus é o criador original de tudo o que existe ex nihilo (criado do nada). Em épocas anteriores esta história era aceita como um fato inquestionável e como a palavra divina e irrefutável de Deus. Hoje em dia há os que ainda professam esta crença.

A captura e deportação do povo judeu à Babilônia por parte de Nabucodonozor no ano 587 AC, onde permaneceram por cinqüenta anos (duas gerações), colocou o povo judeu em contato direto e de maneira freqüente com as influências do oriente – hindus, persas e babilônicos. Durante este período, no seu exílio o povo judeu entrou em contato com mitos e lendas do oriente, particularmente da Índia e do Irã, convertendo-se os mesmos em parte da tradição judaica. Dentro destes encontram-se os mitos da criação e a idéia tomada dos ensinamentos do zoroastrismo, particularmente a profecia de um redentor ou salvador.

A história da criação não é original dos cristãos – ou dos judeus. Os elementos chaves datam de fontes anteriores ao Antigo Testamento e provêem de áreas geográficas, tais como a Índia, o Oriente Médio, e Grécia. A criação do universo, o mundo e os primeiros seres humanos – partindo do conceito de uno que depois se converte em dois – são temas comuns em algumas das tradições mais antigas. As origens do mito do dilúvio são, também mais antigas. Referências aos mesmos se encontram nos textos da escritura cuneiforme dos sumérios ao redor dos anos 2000 – 1750 AC. Todos os elementos essenciais a respeito da história sobre a criação do mundo encontram-se em fontes pagãs de maior antiguidade.


A idéia da criação ex nihilo nem sempre foi parte da doutrina cristã. A comunidade dos primeiros cristãos não tinha uma posição monolítica a esse respeito. Não foi senão até o dia 20 de maio do ano 325 no Conselho de Nicaea que esta doutrina tornou-se oficial sob a supervisão do imperador romano Constantino.

É interessante notar que as famosas palavras de abertura do Evangelho de João nos dão um ponto de partida ligeiramente diferente a respeito da criação: “No início existia o Verbo, o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus”. “Verbo” é uma tradução do grego logos, e refere-se a um princípio integrador (lei) que cria a ordem no cosmos. A semelhança com o conceito budista do Dharma – o que nós denominamos Lei Mística – é surpreendente.

Tanto o oriente como o ocidente, compartilham histórias mitológicas sobre a criação. Porém, por volta de 1500, quando os pensadores da Reforma questionavam a veracidade destas histórias, os muçulmanos estudavam que o paraíso e o inferno eram assuntos internos a cada indivíduo, os cabalistas advertiam aos seus discípulos a não tomar a mitologia de maneira literal; porém, a maioria dos cristãos ainda insistiam que o narrado nestas histórias ajustava-se aos fatos reais, ou seja, eram certos e verdadeiros em todos seus detalhes e aspectos.

Desta forma, inicia-se o longo conflito entre o cristianismo e a ciência, ou com maior precisão, o conflito entre dois pontos de vista científicos, separados por 6000 anos – um data de 4000 AC e o outro de 2000 DC.

A interpretação literal do mito da criação em qualquer religião ou cultura tem a desafortunada conseqüência de obrigar às pessoas a escolher entre o coração que anseia acreditar, e o cérebro, que vê que o argumento não é consistente com a observação objetiva dos fenômenos.


Os mitos sobre a criação no oriente, ainda quanto um tanto similares na superfície (a final de contas, são a fonte de onde emanam os mitos do ocidente), porém, são essencial e fundamentalmente diferentes dos do ocidente, num aspecto importante. Os primeiros, geralmente não apresentam distinção entre Deus e o ser humano. O divino encontra “aqui dentro”. No ocidente, porém, de acordo com a Bíblia, o Criador é diferente, separado e “lá fora”, dando-se, assim, o caso de que existe uma brecha intransponível entre ambos. O Budismo, porém, tem como intenção ajudar aos fiéis a realizar a vivência de sua identidadeoriginal na própria vida, aquela identidade que é una com a força criativa, ou Lei Mística. Dentro do cristianismo, a igualdade com o Criador não é possível. O cristianismo tem como propósito restaurar a relação com este “outro” ser absoluto.

Qual é o ponto de vista budista a respeito de nossas origens? As antigas tradições da Índia indicam que os budistas entendiam que o universo era ordenado por ciclos recorrentes de mundos que se manifestavam e desapareciam. Cada ciclo tinha seu término em dilúvio ou fogo. Estes ciclos de formações e destruições de mundos duravam bilhões de anos e ocorriam em todo o universo. Das cinzas ou lodo que resultavam da destruição, um novo ciclo nascia. Este ciclo não tem início nem fim. Mundos e universos eram criados e destruídos como parte de um ciclo interminável de nascimento e morte que operava em escala cósmica.

Para os budistas, então, não existe uma criação no sentido da história bíblica. O universo se formou quando as condições necessárias se deram, baseadas na lei de causa e efeito inerente na própria natureza do universo. Da mesma forma como surge, desaparece. Mas não há uma causa original, como não há um final. O universo é infinito, sem limites de tempo e espaço. “O universo em si mesmo é um ser vital que contém o potencial da vida que desenvolve-se de diferentes formas; é, portanto, definido como a entidade de vida mais grandiosa”.


Os cosmólogos, hoje em dia, postulam a teoria de um universo dinâmico, em fluxo constante. Onde, num ponto, o universo parece ter nascido da causa do “big bang” original e encontra-se em constante expansão, em tanto que, em outro ponto parece encontrar-se num processo de contração e extinção. Mas o universo em si não tem começo ou fim. Este ponto está de acordo com a perspectiva budista.

A Lei Mística é o nome que damos a esta lei de causalidade subjacente que opera eternamente através do universo inteiro. Quando as condições são propícias, surgem planetas. Quando as condições são adequadas, a vida evolui. O oceano gera ondas. O universo gera vida. A vida evolui para o despertar e a iluminação.

O potencial para a vida, para a vida iluminada, existe na própria essência do universo – é uma lei mística natural. Dado que o ritmo universal apóia a vida, podemos descrever a natureza do universo como benevolente. Há os que dão, a esta capacidade inerente criadora para construir o mundo, ao potencial de gerar o universo, o nome de Deus; nós o chamamos Lei Mística de Nam-myoho-renge-kyo."

Fonte - Living Buddhism, edição de julho de 2004, págs. 4-7
Tradução: Ariel Ricci ahricci@gmail.com
Revisão: Marly Contesini mcontesini@estadao.com.br

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Bonno Soku Bodai - Desejos Mundanos são Iluminação

"As preocupações são um elemento constante na vida dos seres humanos. Pode ser dito que tal situação é parte intrínseca da vida. Na filosofia budista estas circunstâncias - nas quais os pensamentos e emoções conduzem ao sofrimento e a confusão mental - são consideradas como desejos mundanos.


Mas, o que eles representam ? Basicamente, os desejos mundanos são representados pela avareza, ira, estupidez, arrogância, dúvida e desejos doentios. De forma secundária, inclui devassidão, inconstância e diversos outros tipos de desejos.
Na cultura japonesa, acredita-se que existam cento e oito tipos de desejos. Este número corresponde ao batidas de sino realizadas nos diversos templos japoneses na véspera do Ano Novo. Outra fonte, estabelece o número de oitenta e quatro mil desejos mundanos.



Como os seres humanos são como um ninho de desejos, pode-se afirmar que a forma como lidamos com os nossos impulsos é uma questão de extrema importância em nossas vidas.
Os primeiros três desejos citados acima: Avareza, Ira e Estupidez, são chamados de três venenos. A avareza significa tornar-se um escravo da fome, dos desejos sexuais, do ato de dormir, pela busca fama, entre outros. A ira significa o ódio nutrido pelo indivíduo ou o estado em que estamos sendo controlados pelas nossas emoções impulsivas. A estupidez se refere a incapacidade de compreender a verdadeira natureza das circunstâncias. Assim, se observarmos de forma precisa as nossas vidas, podemos dizer que muitas vezes somos levados pelos três venenos. Além disso, pode-se acrescentar que em inúmeras ocasiões, o nosso sofrimento tem origem no desejo inerente em cada um de nós.



Por esta razão, como devemos lidar com os nossos desejos? No budismo Hinayana, os praticantes são orientados a extinguirem a causa do sofrimento, que seria a própria consciência. Entretanto, como os desejos são parte intrínseca dos seres humanos, a extinção do desejo representa a extinção da própria vida humana.



Em contrapartida, muitas pessoas encaram os desejos como algo inevitável e incontrolável, deixando-se levar pelos seus próprios impulsos e causando a sua própria destruição, assim como do ambiente ao seu redor. Na sociedade atual, podemos presenciar esta tendência devastadora que está destruindo o próprio planeta.
Qual a visão do budismo de Nichiren referente a esta questão? Nos seus Ensinos Orais, consta: "Queime a lenha dos desejos mundanos e contemple o fogo da sabedoria iluminada diante dos seus olhos". Nesta passagem, Nichiren declara que o princípio de transformar os desejos mundanos em sabedoria iluminada é a chave para mudança."


Fonte: Site As Mais Belas Histórias Budistas.