quinta-feira, 22 de outubro de 2009

A realização de um sonho - Um roteiro para desenvolver metas claras

O post de hoje é uma matéria que foi apresentada numa reunião de bloco, que reproduzo aqui. Bom proveito!


"A realização de um sonho nasce de um planejamento adequado.

Não existe nada mais agradável que o sabor da conquista e da vitória, porém não há comemoração sem estratégias para atingir os objetivos.
No Budismo de Nichiren Daishonin é muito comum ouvir dos praticantes a necessidade de se traçar metas claras fundamentadas na recitação do Nam-myoho-renge-kyo para se conquistar a felicidade e desfrutar dos benefícios da pratica da fé.
No mercado profissional, o contexto não difere, pois se não há projetos não há construção.
E não há um termo que expresse melhor a fórmula do sucesso do que a palavra aprimoramento. Unindo as duas fórmulas, tanto do desenvolvimento pessoal como do profissional, deparamos com outro conceito, muito mais amplo, que é o planejamento de uma vida, na qual objetivos e sucesso profissional caminham juntos na direção dos sonhos.

Uma folha em branco, uma caneta e os traços dos sonhos.
Mesmo os projetos mais complexos iniciam com um simples desejo escrito em uma folha em branco.
Segundo os especialistas em recursos humanos, para todos os acontecimentos importantes na vida existe um documento escrito. Assim surgiram as certidões de nascimento, casamento e até mesmo a de óbito para registrar datas.
As conquistas também são sempre documentadas em escrituras na compra e venda de imóveis, na aquisição de veículos e até mesmo na compra de de aparelhos eletrônico, o cliente sai com um certificado atestando que o produto lhe pertence. No entanto, quando o assunto é planejamento de vida ouve-se sempre uma informação negativa sobre sua existência.
Infelizmente, a cada dez pessoas apenas uma responde que possui metas claras para a sua vida e muitas relatam que as metas estão todas arquivadas em sua cabeça.


Os especialistas vão mais longe e declaram: “Se estiver somente na cabeça, não é um registro, não é um documento, e não vai ajudá-lo a obter sucesso.
Pouquíssimas pessoas elaboram o seu planejamento de metas com a devida clareza do que se pretende para o dia seguinte, quanto mais para daqui a um, cinco ou dez anos. Ansiar pelo sucesso sem antes estabelecer uma meta definida é o mesmo que procurar uma agulha num palheiro.
Aliás, é pior do que isso; é o mesmo que procurar a agulha sem mesmo saber como ela é e, ao encontrá-la, não saber reconhecê-la”, declara Yasushi Arita, consultor de treinamento em recursos humanos.
Há uma comparação do desenvolvimento do ser humano com a estrutura das empresas, visando a administração pessoal e familiar.

Dificilmente uma pessoa admite a possibilidade de uma empresa não ter um planejamento para o seu desenvolvimento.
Isso é considerado incorreto e inadmissível.
Para uma empresa, é o mesmo que assinar a falência de todo um investimento e atestar a falta de tino profissional e empresarial de seus dirigentes, é a porta aberta para ser esmagado pelo concorrente.
Na vida de qualquer pessoa, o planejamento de metas e objetivos tem o mesmo peso, aliás, é ainda mais importante, porque disso depende o sucesso em todos os âmbitos de sua vida.
Quem não tem metas e objetivos não sabe onde quer chegar, está à deriva, sem controlar o próprio leme de sua vida.

Assim como as empresas, para alcançar o sucesso, a realização pessoal e profissional, é preciso ter um planejamento de metas, com datas, prazos, ações e especificações detalhadas para tudo o que se deseja alcançar.
O sucesso é decorrência de um planejamento, um documento escrito, detalhado, palpável e possível de ser visualizado, idealizado e vislumbrado, que consistem em várias etapas.

Roteiro para desenvolver metas claras

1º) Definir o que deseja realizar — Ter convicção do seu desejo.

2º) Traçar claramente o prazo em que deseja alcançar a meta — Isso significa determinar dia, mês e ano. Nesta etapa você definirá claramente a data para alcançar sua meta. Dentro do seu planejamento, é indispensável programar alguns planos para checar o grau de evolução.

3º) Escrever, com clareza e precisão, qual é sua meta, quanto tempo levará para ser atingida, a data de início e o que você vai fazer para alcançá-la. O resultado que você obtiver será diretamente proporcional ao que você fizer.

4º) Ler em voz alta o que escreveu — A regra diz ler duas vezes por dia, no mínimo, de manhã e à noite. Sempre que fizer a leitura das metas, deve-se ter o pensamento de que já as concretizou.
O seu subconsciente começará a trabalhar no sentido de concretizá-las. Os especialistas indicam que o ideal é ler 21 vezes por dia durante 21 dias para gravar no inconsciente e subconsciente.

5º) Despertar um desejo ardente — É necessário que a concretização de suas metas, sonhos e objetivos seja tão vital como o ar que você respira. Se você não respirar, morre. Portanto, esse mesmo desejo de viver é que temos que ter nesta etapa.

6º) Ação — Esta é a etapa mais importante. Consiste em partir para a ação imediatamente! Talvez você esteja pensando que agora não é o momento oportuno, que ainda não está preparado e que a executará, em breve, se tudo correr bem. É necessário que você saiba que o sucesso não é algo oportuno, e que mesmo as coisas inoportunas têm o seu devido valor. Portanto, comece hoje mesmo, pois se você não agir, nada acontece.

Imagine diariamente as suas ações!


A imaginação é uma propriedade realizadora e fantástica que todos têm. Cada uma das etapas para a elaboração do planejamento de metas requer a devida atenção para que o resultado seja de conquistas e realizações. Basta empenho e coragem para expor o que você realmente deseja.
As dificuldades na elaboração desse documento valem a atenção para serem superadas, pois é por meio desse valioso documento que se conquistará o sucesso em todos os âmbitos da vida."
Fonte: Brasil Seikyo 11 de Dezembro de 2004, edição nº 1775

domingo, 18 de outubro de 2009

Buda com mil mãos - Guan Yin


Sob o título de Buda com 1000 mãos, descobri no You Tube esse vídeo de uma dança executada pela China Disabled People's Performing Art Troupe. Foi essa companhia de dança que em 2004, fez o encerramento dos Jogos Para-Olímpicos.
Um detalhe é que todos integrantes sofrem de deficiência auditiva e executam esse grandioso espetáculo visual baseando-se somente nos sinais dos orientadores nos 4 cantos do cenário.
O nome original dessa dança chinesa é Dança de Guan Yin, que vem a ser o Bodhisattva da Compaixão, também referenciado como a Deusa Budista da Misericórdia.
Seu nome é uma abreviação de Guan Shi Yin, onde Guan significa observar, ver ou monitorar, Shi significa o mundo e Yin significa os sons, principalmente os sons daqueles que sofrem.
Por isso Guan Yin é considerado o ser cheio de compaixão que olha e ampara as pessoas que pedem auxílio nesse mundo.
São suas essas palavras:
Enquanto você for gentil e tiver amor no seu coração
mil mãos virão naturalmente em seu auxílio
Enquanto você for gentil e tiver amor no seu coração
você terá mil mãos para auxiliar outros.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Pesquisa BudaNaWeb

Depois da pesquisa sobre Gongyo e Daimoku que fiz em maio de 2009, posto agora o resultado de uma nova pesquisa, dessa vez abrangindo mais assuntos.
Pesquisando na web foi a forma que mais da metade dos visitantes chegou ao blog, seguido do item "De outra forma" onde a grande maioria veio através do Twitter!
Siga também o BudaNaWeb no Twitter .
Os textos são o que mais agradaram em disparada (40%), seguidos à distância pelos MP3s (14%) e pelas Imagens (13%).Por outro lado, na escolha do que menos agrada no blog os MP3s (18%) e os Comentários (12%) foram os mais citados.
Mas a maior fatia foi o item "Outros" (37%) onde a grande maioria das respostas foi "Nada"!
67% dos visitantes escolheram Budismo de Nitiren Daishonin. A segunda opção mais escolhida foi "Não tenho religião" com 15%.

Da totalidade das respostas, mais da metade (51%) confirmaram fazer a prática completa, com o Gongyo e o Daimoku duas vezes por dia, todos os dias, enquanto menos da metade desse número (20%) disseram que fazem só Daimoku uma vez ou outra.
Recebi algumas sugestões bem variadas nesse item.
Explanação de Goshos (as cartas escritas por Nitiren Daishonin), dicas e dinâmicas sobre reuniões de palestra, postais com pensamentos budistas, indicações de livros, a criação de um forum,
mais vídeos e colocar relatos de experiência, foram alguns dos mais citados.Um bom número de pessoas das mais variadas regiões do Brasil se mostrou interessado em receber informativos sobre o Budismo de Nitiren Daishonin.
Teve até
uma pessoa da Itália e outra do Japão!

Fica aqui o meu agradecimento para todos que participaram dessa pequena pesquisa, ajudando assim a melhorar cada vez mais o BudaNaWeb!
Grato por tudo.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Estados de Erudição e Absorção

Na sequência desta série intitulada Dez Estados de Vida, prosseguiremos abordando conjuntamente as condições de Erudição (Shomon) e Absorção (Engaku), por serem semelhantes no tocante à luta pela auto-reforma.
Como foi estudado anteriormente, as seis condições até agora mencionadas, desde Inferno à Alegria, resultam dos impulsos e dos desejos, mas que estão completamente controladas por restrições impostas ao indivíduo pelo meio ambiente. Essas seis condições são chamadas de Seis Caminhos ou Seis Mundos Inferiores (Inferno, Fome, Animalidade, Ira, Tranquilidade e Alegria). Somente através da nossa determinada luta contra as fraquezas de nossa vida - isto é, as nossas próprias ilusões - podemos abrir uma nova dimensão que transcenda esses seis mundos inferiores. Aqui está o modo mais correto de se criar as condições mais desejáveis do que os seis mundos inferiores, isto é, as dos Quatro Nobres Mundos (que compreendem justamente os Estados de Erudição, Absorção, Bodhisattva e Estado de Buda).
Para melhor compreensão, façamos um estudo separadamente destas duas condições de vida através de uma breve definição de ambas.
O Estado de Erudição ou Conhecimento (Shomon) é a condição experimentada por uma pessoa quando ela luta por um estado duradouro de contentamento e estabilidade através de auto-reforma e do desenvolvimento próprio. Concretamente, erudição é o estado em que o indivíduo dedica-se à criação de uma vida melhor através da aquisição de idéias, conhecimentos e experiências de seus predecessores.


Absorção ou Estado de Realização Parcial (Engaku): Este estado é também chamado de “despertar por si mesmo” (Dokakku). As pessoas neste estado compreendem algumas verdades, independentemente dos ensinos budistas, e as usam principalmente para seu própio proveito. Elas iluminam as ilusões e obtêm a emancipação através da percepção das doze correntes ligadas da causalidade ou despertar por si mesmas para a verdade da impermanência através da observação direta do mundo ao seu redor. Esta condição de vida é semelhante, como já foi dito, ao Estado de Erudição, distinguindo-se deste por não buscar os meios nas aquisições dos predecessores, mas diretamente nos fenômenos da natureza.
A Erudição e Absorção são coletivamente chamados de “Nijo” ou os Dois Veículos porque são as suas características comuns. Nichiren Daishonin afirma no “Verdadeiro Objeto de Adoração”: “O fato de que todas as coisas no mundo são transitórias é perfeitamente claro para nós. Não seria porque os mundos dos dois veículos estão presentes no mundo da Tranquilidade?” Os dois Veículos são os estados em que a pessoa desperta para o fato de que a vida é transitória. E ao refletir baseando-se nessa verdade, a pessoa liberta-se de ser controlada pelas condições mutáveis e pelos desejos inatos como aqueles dos seis caminhos, e estabelece uma certa independência. Entretanto, o despertar das pessoas nos dois veículos é dirigido somente para sua própia salvação.

“Nijo” é um estado mais desejável no qual uma pessoa emerge dos Seis Caminhos.
O fato de exaltarmos o lado positivo destes dois estados não quer dizer que são o suficiente para fazer com que uma pessoa atinja o estado máximo de vida que é o Estado de Buda. Erudição, conhecimento, sabedoria por si sós não levam a auto-reforma nem ao Estado de Buda. È necessário que a sabedoria e conhecimento estejam firmemente embasadas numa verdadeira filosofia de vida e voltada também em benefício de outras pessoas. Todos os esforços que vão à reflexão e à introspecção serão inúteis a menos que o “eu” da vida aumente seu brilho.
Um ponto que é necessário ser esclarecido, é que mesmo que o indivíduo aspire às Quatro Condições Nobres, não se separa das Seis Condições Inferiores de vida. A Erudição, Absorção, Bodhisattva e Estado de Buda são o desejo e os esforços pela auto-reforma, exatamente em meio à sociedade e à civilização, plena de sofrimentos e dos males das seis condições de vida inferiores. Outro ponto é que intelectuais não são os únicos a se encontrarem no Estado de Erudição; e da mesma forma, os artistas e os filósofos não são exclusivamente pertinentes ao Estado de Absorção. Pode-se dizer que mesmo os intelectuais experimentam o Estado de Alegria, quando sentem prazer ao buscar a verdade na natureza e na sociedade. Isto também se mantém verdadeiro com os artistas e filósofos. Quando o artista sente prazer em sua busca concentrada e na criação do belo, ele experimenta o Estado de Alegria. Quando entretanto, através da busca ao conhecimento e à arte, observa o interior de sua vida e dá um passo além, procurando compreender sua vida interna, pode-se dizer que passa a experimentar os Estados de Erudição e Absorção. Por outro lado, se nas buscas ao conhecimento e à arte os intelectuais ou os artistas dedicam-se a salvar os outros, dando-lhes a coragem e a alegria para viver passam a uma condição de benevolência. No Budismo, quando essa benevolência refere-se ao salvamento de uma pessoa conduzindo-a ao caminho da felicidade absoluta, esse estado é chamado de Bodhissatva, que veremos na próxima edição.


Shomon e Erudição, no verdadeiro sentido da palavra, significam ouvir os ensinos orais do Buda e então transmiti-los às outras pessoas e às gerações futuras. Portanto, devemos receber sinceramente as idéias, conhecimentos e experiências de nossos predecessores que lutaram para desenvolvê-las. Até que, e a menos que os tornemos parte integral das nossas próprias vidas, não podemos purificar ou abrilhantar a luz do nosso “eu”.
Existem ainda algumas questões que gostaríamos de abordar referentes ao Estado de Shomon, como por exemplo a associação comum de se relacionar a categoria de “Erudição” aos estudantes e intelectuais. Quanto a esse ponto, na obra “Diálogo Sobre a Vida” de autoria do Presidente Ikeda é dito que decerto os estudantes e professores têm mais oportunidade e uma possibilidade maior de entrarem no Estado de “Shomon”. Contudo, pode-se dizer que também aqueles que têm uma atitude modesta e tentam compreender e assimilar as experiências e conhecimentos das outras pessoas podem também entrar na condição de “Shomom”. No entanto, as pessoas que se vangloriam de seu abundante conhecimento, de nenhum modo expressam o “Shomon”. O Budismo define tais pessoas como “Shokuho Gaki”, que significa aquelas que estão no Estado de Fome ou “Gaki”, utilizando o Budismo para seus próprios interesses egoísticos.

Tomando como exemplo, uma pessoa, mesmo que esteja empenhada num trabalho intelectual como pesquisa universitária ou jornalismo, pode ter uma atitude muito à vontade em relação ao seu trabalho e fazer apenas o necessário para receber seu salário. Tal pessoa não tem nada a ver com a categoria de “Nijo”. De maneira semelhante, a pessoa que apresenta ser altamente intelectual ou um grande líder na sociedade, embora esteja na realidade faminta por dinheiro e poder está apenas na realidade nos Três Mundos ou Caminhos Inferiores. Ela passa a maior parte do seu tempo meramente indo e vindo nos mundos tais como “Tikusho” ou Animalidade. É interessante notar também que em alguns Gosho de Nichiren Daishonin “Nijo” é descrito como condição inferior até mesmo nos Três Caminhos Inferiores ou aos Seis Mundos Inferiores, qual seria o motivo?” Ainda com base no livro “Diálogos Sobre a Vida”, o Presidente da SGI, Daisaku Ikeda afirma que, existem basicamente quatro razões para isso. Uma é que as pessoas no mundo de “Nijo” tendem a tornarem presunçosas, persistentemente insistem em suas próprias idéias e sentem que atingiram a mais alta iluminação. A segunda, é que elas têm a tendência de se tornarem surdas aos outros, mesmo que estes exponham o genuíno modo de vista. Mesmo que ouçam, elas assim procedem somente para criticar ou encontrar falha naquelas teorias. Há algumas pessoas que estão satisfeitas com a crítica. A terceira razão atribui-se ao fato de que as pessoas de “Nijo” possuir muito maior poder tanto para o bem como para o mal do que as pessoas nos seis mundos inferiores. Seu conhecimento é abundante, sua razão aguda e seu poder intuitivo é grande. Portanto, uma vez dirigidas pelo diabolismo da vida, seus poderes podem exercer uma grande influência destrutiva sobre a vida do universo. As pessoas nos Seis Mundos Inferiores não são comparáveis às de “Nijo” em poder destrutivo. Por exemplo, se compararmos o poder das pessoas nos Seis Mundos Inferiores a uma arma de fogo ou a uma espada, então, o poder de “Nijo” pode ser assemelhado a uma bomba nuclear. Os cientistas que também pertencem à categoria de “Nijo” descobriram os princípios da fissão e fusão nuclear e aplicaram-nas então na construção de armas de guerra. Se um louco usa uma arma de fogo ou uma espada, pode somente ferir poucas pessoas, mas uma bomba nuclear matará milhões, aterrorizando toda a humanidade. Uma terceira razão é que as pessoas de “Nijo” têm um senso de independência mais forte do que as dos Seis Mundos Inferiores. Mesmo quando estão indo numa direção errada, é extremamente difícil trazê-las de volta ao verdadeiro caminho do progresso humano. Muitas pessoas pensam erroneamente que possuem a iluminação de “Nijo”, quando na realidade estão na condição de “Jigoku” (Inferno).
Conforme o Presidente Ikeda afirma, a não ser que sub julguemos o diabolismo das profundezas da vida, o brilho do “eu ” de “Nijo” não pode se tornar mais fresco e brilhante. Aqui está a chave para compreender qual deve ser a verdadeira condição de “Nijo”. O Budismo busca o modo mais certo de estabelecer uma perfeita subjetividade, e vai além até às profundezas da vida para descobrir a natureza última da vida. Baseando-se nesta filosofia suprema, as pessoas nas condições de Erudição e Absorção poderão direcionar sua sabedoria em prol da felicidade própria e de outrem, bem como em prol do objetivo da paz mundial.

Fonte: T.C. nº 272 pág. 45 a 47 de 4/91Seleção de texto: Doralice e Paulo Bruno. 28/05/97Digitação e arte - Paulo Bruno

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Estado de Alegria

"Uma condição de contentamento.
Esta é a sexta publicação de uma série destinada a aprofundar a compreensão do princípio básico budista denominado “ Os Dez Estados de Vida ” ou “ Os Dez Mundos”. Os Dez Mundos estão contidos em um outro princípio chamado “ Itinen Sanzen” ( Três mil mundos em um instante momentâneo da vida) elucidado por Tientai no quinto volume do Maka Shikan ( Grande Concentração e Percepção) e ao qual Nitiren Daishonin frequentemente refere-se em suas escrituras.


Várias religiões do mundo inteiro pregam a existência de um paraíso, um outro lugar onde tudo é felicidade. Após a morte, afirmam, iremos para esse paraíso, caso tenhamos sido bons. De acordo com a teoria budista dos Dez Mundos, contudo, o Êxtase ou Alegria ( Ten ) é uma condição de vida de contentamento, um verdadeiro “paraíso” na Terra. A alegria que experimentamos na condição de Êxtase origina-se de ter nossos desejos concretizados ou nossos problemas solucionados. Em Êxtase todo nosso ser parece sentir-se “leve”. Nós freqüentemente dizemos que estamos “caminhando no ar”, que “estamos nas nuvens” ou ainda “no topo do mundo”. Nitiren Daishonin caracterizou perfeitamente esta condição ao afirmar em “ O Verdadeiro Objeto de Adoração”, que “ O Estado de Alegria existe no mundo de Êxtase ” ou ainda “ Ser alegre é Ten” .
Conseguir um aumento, apaixonar-se, comprar um carro, curar-se de uma doença, fazer uma nova descoberta - todas essas coisas e muitas outras, possibilitam-nos entrar no mundo de Alegria. As causas para a condição de Alegria são infinitas, assim como seus níveis. Ensinos provisórios descrevem o local onde os seres humanos vivem como o Mundo Tríplice; o Mundo do Desejo; o Mundo da Forma e o Mundo da Abstração ou Deformidade”. Segundo o ponto de vista da Índia antiga o Mundo Tríplice é aquele habitado pelos seres humanos que não atingiram a iluminação. O mundo do Inferno ao de Tranquilidade e parte do Mundo de Alegria estão inclusos no Mundo do Desejo. O Mundo da Forma e da Abstração fazem parte de divisões mais elevadas do Mundo de Alegria. O Vigésimo-sexto Sumo Prelado, Nitikan Shonin, escreveu em seu “Tratado sobre o Ensino Tríplice Secreto”: “Existem seis céus no Mundo do Desejo, dezoito no Mundo da Forma e quatro no Mundo da Abstração”. A afirmação da existência de 28 céus no mundo da Alegria simboliza a grande variedade de alegrias que experimentamos.


O tipo de alegria que experimentamos difere de acordo com o Mundo Tríplice. O Mundo do Desejo compreende todos os cinco mundos inferiores - Inferno, Fome, Animalidade, Ira, Tranquilidade - em adição, parte do Mundo de Alegria. Esses mundos inferiores, como visto em edições passadas estão centralizados nos desejos e sofrimentos inerentes: o desejo pela vida, desejos instintivos, impulsos emocionais e desejos pelo bem - estar social e físico. Em suma, o Mundo do Desejo é literalmente um mundo cheio de desejos e alegria deste mundo é expressada pelo prazer abstrato que sentimos quando as nossas vontades imediatas são satisfeitas. Por exemplo, quando comemos nosso prato favorito, ou comemos quando estamos famintos, o nosso “sofrimento” é aliviado. O Mundo da Forma é um mundo material e físico, onde seus habitantes são livres de desejos, porém, ainda são limitados por alguns tipos de restrições materiais. A alegria deste mundo inclui a sensação de bem - estar, saúde e energia. Nós experimentamos essa alegria após um vigoroso exercício, quando sentimos revigorados ou quando exercitamos nossos talentos naturais. A Alegria no Mundo da Forma é uma felicidade mais profunda do que meramente possuir nossos desejos satisfeitos. O Presidente da SGI, Daisaku Ikeda, afirmou que neste mundo “ o fluxo somático está em harmonia com seu ambiente criando e sustentando eternamente nossa energia vital. È durante esse processo que a força criativa opera para prover alegria ao ser humano”.


A satisfação ou contentamento espiritual caracteriza Êxtase ou Alegria no Mundo da Abstração. A alegria em conduzir uma vida plena, ou de auto - realização e criatividade refere-se ao Mundo de Abstração. A alegria que sentimos na condição deste estado são efêmeras e desaparecem com o passar do tempo ou ainda com a transformação das circunstâncias.
O tempo passa incrivelmente rápido quando estamos envoltos no extase do Mundo da Alegria. Uma hora junto à pessoa a quem se ama parecem minutos, ao passo que na condição de Inferno, poucos segundos podem parecer horas. Um conto folclórico japonês ressalta a rapidez com que o tempo passa. Este conto narra a história de um jovem homem, Urashima Taro, que passa três agradáveis anos sob o mar no “palácio do Rei Dragão”. Quando retorna à superfície ele percebe que 300 anos haviam se passado. Ao abrir uma caixa de jóias que havia ganho enquanto estava sob o mar, transformou-se imediatamente num velho.


Em uma de suas Escrituras, Nitiren Daishonin disse que o período de vida dos Quatro Reis Celestes, que representam o Mundo de Alegria, é de 500 anos, em que cada dia equivale a 50 anos da vida humana. Nós podemos compreender esta vasta extensão de tempo significando que uma incrível quantidade de experiência e realização está contida neste espaço de tempo, digamos, um dia em Alegria. Além disso, nestes termos, um dia em Alegria equivale a cem anos de vida normal.
A obra “Ensinos Tríplices Secretos” de Nitikan Shonin afirma: “ Alegria reside num palácio”. No Mundo de Alegria mesmo nosso mais humilde lar parece um castelo. Nosso ambiente é adaptado à vida humana, nele todos os desejos podem ser satisfeitos, e pode-se desfrutar de uma vida de inteligência, consciência e amor.
Porém, o Estado de Alegria é passageiro. Como o gosto de algo doce, cujo prazer logo acaba. A primeira mordida de um bolo de chocolate causa-nos grande prazer, porém, pela quinta ou sexta vez esse intenso prazer dá lugar a um mero contentamento. Também, freqüentemente vemos ou ouvimos de algumas pessoas que estudaram anos e anos, excedendo em suas áreas e realizando um perfeito trabalho, que pensando nos desafios e considerações da posição que ocupam sentem-se como se estivessem no topo do mundo. Conforme as semanas e meses passam, elas tendem a perder o entusiasmo, considerando o trabalho uma obrigação ao invés de um privilégio. Começam então a buscar um trabalho melhor, e quando encontram um, podem cair no Mundo da Fome, ou Animalidade depositando suas frustações em seus companheiros de trabalho ou família. Deste modo, Alegria assemelha-se a uma fina camada de gelo que cobre uma lagoa. O menor passo em falso poderá nos levar às profundezas gélidas dos Quatro Maus Caminhos. Na realidade, o Budismo descreve o conceito “ cinco tipos de declínio ” inerente no mundo da Alegria que resalta a efêmera natureza de Êxtase. 

O Presidente Ikeda mencionou o seguinte ponto em um de suas orientações: “ Uma pessoa realmente bem sucedida é aquela que pode desfrutar de um livre e irrestrito estado de vida. Aquela que inclina-se ao esplendor transitório do Mundo de Êxtase ou Alegria não pode ser considerada bem sucedida. Conforme ensinado no Budismo, as pessoas no domínio da Alegria experimentam os cinco tipos de declínio. A alegria e sucesso no mundo de Alegria inevitalvemente acabarão assim como as folhas de uma árvore caem no outono”.
Quando perdemos o algo que nos faz feliz, freqüentemente caímos nos Quatro Maus Caminhos. Quanto mais dependemos desse algo que nos faz feliz, mais profundamente cairemos nos mundos inferiores. Isso é o que o Budismo quer dizer com “ O Inferno reside no mundo da Alegria”. Conforme os desejos de uma pessoa são satisfeitos através da prática Budista, ela pode realizar várias coisas em benefício próprio, tornando-se complacente e esquecendo-se de empreender contínuos esforços no campo da fé. Este é o motivo de Nitiren Daishonin ter afirmado: “ Fortaleça sua fé dia após dia, mês após mês. Se enfraquecer mesmo um pouco, demônios aproveitar-se-ão “ (END, vol. I, pág. 304 ).



No topo do Mundo do Desejo está sentado o Demônio do Sexto Céu. Sua alegria deriva de ser capaz de controlar e fazer uso dos outros. Como um vampiro, ele suga a força das pessoas, conduzindo-as à agonia do Mundo de Inferno. O Budismo reconhece que inerente em todo desejo - especialmente no desejo pela autoridade, poder e posse - existe este Demônio do Sexto Céu. Na escrita “Tratamento da Doença”, Nitiren Daishonin diz: “ A escuridão fundamental da vida de uma pessoa manifesta-se como o Demônio do Sexto Céu”. Esta “escuridão fundamental “ da vida é de onde o egocentrismo e a hipocrisia originam-se. O Presidente Ikeda tem afirmado: “A escuridão fundamental da vida humana possibilita transformar o desejo, o eu e a inteligência em força para o mal, e está presente no controle do governo, do capital, dos negócios e da ciência. Esta natureza pode ainda trazer a guerra, poluição e a destruição da natureza”.
Pórem, como seres humanos possuímos o potencial para polir nossa inteligência com benevolência. Com a natureza de Buda inerente em nossas vidas podemos vencer este mal e nos tornar realmente livres e independentes. Devemos constantemente desenvolver essa humanidade e estarmos sempre atentos contra esta influência.


Infelizmente, nossa sociedade ensina que a realização de nossos desejos é a verdadeira felicidade. As pessoas entretanto, anseiam por uma vida na qual as alegrias momentâneas de Êxtase possam de alguma forma tornar-se permanentes. Ensina-nos que atingir o Estado de Alegria é o propósito último e a condição de vida mais elevada. Revistas de turismo tentam-nos com visões de um paraíso atingido através de uma curta viagem de avião. Companhias mostram-nos “ novas ” versões de seus produtos, clamando-nos a descartar dos velhos - ainda perfeitamente utilizáveis. A sociedade tenciona dizer que o que uma pessoa possui não é o suficiente: a verdadeira felicidade é ter algo, ser alguém, é poder estar em algum lugar especial. As pessoas tendem a sentir-se inadequadas ou deslocadas se não podem manter um determinado estilo de vida. A alegria então torna-se o mundo em que as pessoas buscam a ascensão.

Como Budista nosso objetivo não é atingir o Mundo da Alegria mas o da iluminação. Na realidade, Êxtase ou Alegria não se encontra em algum lugar além, mas sim onde estamos agora. Alegria - a satisfação de nossos desejos ou da solução de nossos problemas - é ainda uma parte dos seis mundos inferiores ou seis caminhos. A alegria que experimentamos como budistas provém de nossa prática da fé e do modo de vida que conduzimos. Nossa maior alegria é viver o caminho de Mestre - discípulo, criando valores humanos, e atingindo a iluminação. Nitiren Daishonin afirma: “Não há maior felicidade para os seres humanos, que orar o Nam-myoho-renge-kyo” (END, vol. III, pág. 199).



Como Budistas, naturalmente, experimentamos Alegria também. Porém, compreendemos que este estado é relativo, não se trata da felicidade absoluta. Nós atingimos nossos desejos como prova de nossa revolução humana, a transformação de nosso carma. A solução dos nossos problemas não é a verdadeira felicidade, tampouco a satisfação de nossos desejos. Enquanto desenvolvemos nossa condição de vida através da prática budista podemos desfrutar da Alegria pelo que ela é e não para nos tornar escravos dela, exatamente como Nitiren Daishonin afirma no mesmo Gosho: “Sofra o que tiver que sofrer. Desfrute o que existe para ser desfrutado. Considere tanto o sofrimento como a alegria como fatos da vida, e continue orando o Nam-myoho-renge-kyo, não obstante o que aconteça. Então, experimentará a infinita alegria da Lei”.
Os primeiros seis mundos expostos nesta série, desde Inferno até Alegria, são conhecidos como Seis Mundos Inferiores. Nesses mundos, nosso estado de vida reage de acordo com o nosso meio ambiente. Influências externas regem nossa condição de vida. A maioria das pessoas despendem seu tempo num ciclo através desses seis caminhos, porém o Budismo afirma que estes não constituem a totalidade da existência. Através de esforços conscientes e da auto-reforma podemos experimentar a mais elevada condição de vida, os quatro nobres mundos: Erudição, Absorção, Bodhisattva e Estado de Buda."
Fonte: T.C. nº 271 pág. 44, 45, 46 e 47 de 03/91 Seleção de texto: Doralice e Paulo Bruno. 21/05/97 Digitação - Paulo Bruno.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Estado de Tranquilidade

"Um tratado diz: “ Ser calmo é Nin ”. Esta é uma condição em que a pessoa pode controlar temporariamente seus impulsos e desejos através da razão. Assim, a pessoa passa a ter uma vida calma e em harmonia com o seu meio, que inclui as outras pessoas e o ambiente.
O homem pode ser definido de vários ângulos, mas o Budismo define o homem como um ser no mundo de “ Nin ” (Tranqüilidade). Em resumo, este estado humano Nin é “manusa” em sânscrito, significando “seres pensantes”. Uma passagem de “ Risso Abidonron” diz: “Há oito componentes da propriedade do homem: sagacidade, carácter pessoal, consciência humana, julgamento são, sabedoria, habilidade de distinguir o verdadeiro do falso, ser mais provável para atingir a iluminação, e repleto de causa do passado. Portanto, este caminho humano é chamado “manusa”. A razão, a faculdade contemplativa, a sabedoria e outras estão todas incluídas nestas propriedades que envolvem o homem. Como resultado, podemos compreender que 
Nichiren Daishonin definiu como Tranqüilidade, baseando-se nesta interpretação. 



Nin ou tranquilidade pode parecer a condição mais pacífica, calma e passiva dentre os Dez Mundos. Os Três Piores Caminhos e os Quatro Maus Caminhos são mundos em conflitos, o “Ten” ou alegria é também um estado ativo em que a espiral da alegria está no seu ponto alto. Todas estas condições de vida são consideradas extremamente dinâmicas.
Quando pensamos e analisamos sobre a nossa vida diária, vemos que esta compreende não somente algumas das notáveis ondulações das nossas emoções, mas também momentos muito calmos ou pacíficos. Invariavelmente todos experimentam estados temporariamente sossegados e tranqüilos ao longo do dia, mesmo que passem a maior parte do tempo sendo controlados e influenciados pelas mudanças caleidoscópicas do ambiente. Nin é a expressão mais apropriada para descrever os casos em que estamos lendo um jornal após retornar ao lar do serviço ou uma agradável conversa familiar em meio a uma xícara de café. 



Esta condição de Nin, contudo, pode mudar-se instantaneamente nos Três Piores Caminhos ou nos Quatro Maus Caminhos pelo mais leve desvio de nossas circunstâncias. É essencial, portanto, que conservemos e mantenhamos continuamente as nossas identidades imunes de tais mudanças fenomenais. Devemos refletir ou pensar profundamente sobre nós mesmos enquanto penetramos na sociedade. Então, é possível fazermos decisões precisas sobre vários assuntos. Por outro lado, podemos sublimar este estado de Nin vendo através da sua verdadeira natureza e cultivando-nos para condições mais elevadas e mais superiores. 



Este estado está colocado numa posição central no conceito dos Dez Mundos. Isto porque o Budismo ensina que este mundo de Nin é a condição mais fundamental que tem a possibilidade de se mudar em qualquer um dos outros mundos. O mais importante para nós é melhorarmos e desenvolvermos este estado transitório de Nin para uma condição de energia vital carregada com um brilhante e eterno fluxo de sabedoria. Aqui está a prática da fé no Budismo.
De certo modo, é extremamente difícil perceber a nossa vida e a sociedade tais como são e agir corretamente com calma e mente tranqüila Em contraste, é também muito fácil vivermos à mercê dos desejos instintivos e agirmos pelas emoções. Tal estilo de vida, contudo, só pode aumentar a nossa infelicidade.
A fim de desfrutarmos de uma vida tranqüila digna de um ser humano, os pré-requisitos devem ser razão, uma aguda visão baseada em profunda sabedoria, uma pura consciência para discernir o bem do mal, e um férreo desejo de vencer todas as dificuldades. Adicionadas a estas, as condições intrínsecas para avançar são: a vontade para se desenvolver em direção ao futuro, os sentimentos humanos e outros. 


Certamente, no mundo em que vivemos os valores estão se tornando cada vez mais diversos. No entanto, o ser no estado de tranquilidade tem de ter uma espécie de fundação, ou base, para a existência. Quando ele tem alicerces, pode levar sua vida em paz. O fluxo da existência é suave e o tempo subjetivo passa firme e pacificamente. No estado de Tranquilidade, as energias da vida estão sob considerável controle. A não ser que alguma coisa saia errada, por exemplo, somos virtualmente inconscientes das funções do nosso corpo. No nível espiritual, é necessária grande dose de emoção reprimida ou um grande desejo de perturbar a nossa compostura para que ajamos movidos pelo descontentamento e insatisfação. Tranquilidade é, no todo, um admirável estado."
Fonte: T.C. nº 269 pág 47 e 48 de 01/91
Seleção de texto: Doralice e Paulo Bruno. 17/5/97
Digitação - Paulo Bruno.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Narração do Gongyo em português

O Gongyo que recitamos pela manhã e pela noite é formado por parte do 2º capítulo do Sutra do Lótus, Hoben, e pela parte chamada de Jigague do 16º capítulo, Juryo. 

Junto com o Bruno Padilha produzi uma gravação com a narração do Gongyo traduzido para o português, com o texto do livro "Preleção dos Capítulos Hoben e Juryo", de Daisaku ikeda, mas havia colocado apenas na barra lateral, sem um post específico, o que resolvi fazer agora para facilitar ainda mais a localização da gravação aqui no blog. Para ouvir e/ou baixar, click aqui.
Se quiser acompanhar o texto junto com a narração
click aqui ou aqui.