
É dito no Budismo que as pessoas caem nesse domínio por cometerem más ações. Animalidade é o estado de vida no qual as pessoas são dirigidas unicamente por seus instintos. Elas agem impulsivamente, com irracionalidade e sem moralidade. O critério de suas ações é a luta pela sobrevivência, “a lei da selva”, aproveitando-se dos mais fracos e adulando os mais fortes. Tikusho é um termo geral para animais. De acordo com alguns sutras, se mesmo que as pessoas vivam como seres humanos hoje, se estas vivem a lamentar-se constantemente ou a difamar outras pessoas, ou entregam-se excessivamente aos prazeres sexuais, ou vivem freqüentemente enfurecidas, podem renascer sob alguma forma de animal em sua próxima existência.

Todos os seres humanos possuem o Estado de Animalidade como uma condição potencial de vida. Durante o desenvolvimento do embrião humano, de fato, este passa por estágios que são surpreendentemente similares aos de outros vertebrados. Em um dos estágios é quase impossível diferenciar entre o embrião de um peixe, uma tartaruga, um galo, um coelho e de um homem. Contudo, o célebro humano possui várias funções em comum com muitos outros animais. É formado por três partes ou camadas básicas. A base cerebral ou cérebro anterior controla as funções vitais básicas involuntárias tais como a respiração, batidas cardíacas, o despertar e o adormecer. Ao redor deste está o cérebro médio ou “velho córtex”, que controla o desejo da fome e sede, como também os impulsos sexuais - desejos importantes para a sobrevivência do indivíduo e das espécies. Muitos animais partilham estas duas primeiras camadas de funções cerebrais. Ao redor do velho córtex está o chamado “novo córtex”, o centro de funções exclusivo aos seres humanos. A habilidade para controlar e viver além dos impulsos de um indivíduo por alimento ou sexo é unicamente humana. Agir impulsivamente, guiar-se somente por instinto, é viver como um animal. Pode-se dizer que o modo de vida humano reside em não ser dominado por tais tendências impulsivas.

Mergulhando no mundo da Animalidade, as pessoas perdem o sentido da razão, e suas emoções são facilmente dominadas pelo mêdo e covardia. Os indivíduos que vivem neste estado de vida, como animais, podem adaptar-se ao seu meio ambiente, mas quando defrontam-se com situações desagradáveis ou estranhas, freqüentemente ficam paralisados pelo mêdo. Não conseguem encontrar uma solução perdendo toda a esperança e resignando a si mesmas ao própio destino. A natureza dos animais é viver o dia a dia. Eles são incapázes de pensar ou planejar adiante. Certamente, alguns animais armazenam alimentos para o futuro, mas esta prática é puramente instintíva, algo sobre o qual possuem pouco ou nenhum contrôle. Eles não possuem sonhos, esperanças para o futuro ou ainda uma direção na vida. As pessoas no Estado de Animalidade seguem o mesmo exemplo. Elas não possuem uma longa perspectiva de suas vidas nem um senso de propósito de vida. Uma gratificação imediata é o mais importante para elas.

O Gosho declara: “A estupidez é o mundo da Animalidade”. A princípio, podemos fazer uma objeção a tal rigorosa descrição porque os animais, apesar de tudo, não empreendem guerras ou poluem o meio ambiente. Vivem em harmonia com o mundo que os cercam e podem obter alimento, encontrar refúgio e proteger-se por si própios. Mas o homem que vive somente por instinto, que não realiza nemhum esforço direcionado a algum sonho futuro, e que somente aspira atingir os desejos imediatos, pode-se dizer que vivem um tolo modo de vida. Em sua “Carta de Sado,” Nitiren Daishonin refere-se à natureza da Animalidade: “Os Peixes em um lago desejam viver em segurança e, deplorando a sua pouca profundidade, cavam buracos no fundo para se esconderem. Porém, iludidos pela isca, mordem o anzol” (END I, pág 194). Sobre esta passagem, o Presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda disse: “ Se viver sob o dominio do instinto, uma pessoa cairá finalmente na ruína”. Em diversos Gosho, Nitiren Daishonin descreve o Estado de Animalidade. Em “O Soberano, Mestre e Pai” ele afirma: “O pequeno é tragado pelo grande, e os menores são comidos pelos maiores, devorando-se uns aos outros sem cessar”. Isto assemelha-se à descrição das práticas modernas no mundo dos negócios. Muitos usam o termo “mundo cão” ao descreverem as táticas usadas para a ascensão social. A frase “o pequeno é tragado pelo grande” indica a sociedade hostil que domina em nossos anos recentes. Em um outro Gosho, “Carta de Sado”, Nitiren Daishonin escreve: “A natureza do animal é ameaçar o fraco e temer o forte. Tomando como exemplo o homem, pessoas emocionalmente sensíveis podem ser consideradas “fracas” perante as ameaças daqueles mais fortes e agressivos.


Contudo, apesar de todos os aspectos negativos do Estado de Animalidade, assim como o Mundo do Inferno e Fome, este também possui seu lado positivo. Na verdade, nossos instintos primitivos são essenciais para a nossa sobrevivência como indivíduos e como espécie. A Animalidade também pode ser caracterizada como sendo um dos três venenos, a estupidez. Podemos supor que a definição de estupidez aqui ultrapassa o conceito de ignorância e ingenuidade. O dito popular “Ignorância é êxtase”, esclarece um dos aspectos positivos da Animalidade. Algumas pessoas podem ser felizes vivendo em ignorância. Na realidade, a ignorância em muitos casos é melhor do que a sabedoria mal intencionada. Do ponto de vista da Lei Mística todos os mundos inferiores possuem aspectos positivos. Os sofrimentos que ultrapassamos podem ser o incentivo que precisamos para revolucionar as nossas vidas. Quando sofremos podemos apreciar os mundos mais elevados, assim como aguardamos a primavera após um rigoroso inverno. Numa análise final, a coisa mais importante é elevar a nossa condição de vida e compreender quão miserável é ser controlado por estes mundos mais baixos, uma condição comum para as pessoas nos Últimos Dias da Lei. Através de nossa prática de recitação do Nam-myoho-renge-kyo ao Gohonzon podemos mudar definitivamente o nosso sofrimento em alegria, o medo sem coragem, incerteza em senso de missão e confiança e o desespero em esperança, tal é o poder do Verdadeiro Budismo de Nichiren Daishonin."
Fonte: T.C. nº 256 pág. 30 a 32 de 10/89
Seleção de texto: Doralice e Paulo Bruno. 12/4/97
Digitação - Paulo Bruno.
2 comentários:
João, o lugar no Barão da Torre continua lá!
135 é o número.
Dá uma chegada lá e se informa das reuniões, todos ficarão contentes em lhe auxiliar.
Prá ir "esquentando" vai se interando no "kit" de introdução - http://www.budanaweb.com/2009/03/textos-de-introducao.html
Abraço e boa sorte, sempre!
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