quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Estado de Alegria

"Uma condição de contentamento.
Esta é a sexta publicação de uma série destinada a aprofundar a compreensão do princípio básico budista denominado “ Os Dez Estados de Vida ” ou “ Os Dez Mundos”. Os Dez Mundos estão contidos em um outro princípio chamado “ Itinen Sanzen” ( Três mil mundos em um instante momentâneo da vida) elucidado por Tientai no quinto volume do Maka Shikan ( Grande Concentração e Percepção) e ao qual Nitiren Daishonin frequentemente refere-se em suas escrituras.


Várias religiões do mundo inteiro pregam a existência de um paraíso, um outro lugar onde tudo é felicidade. Após a morte, afirmam, iremos para esse paraíso, caso tenhamos sido bons. De acordo com a teoria budista dos Dez Mundos, contudo, o Êxtase ou Alegria ( Ten ) é uma condição de vida de contentamento, um verdadeiro “paraíso” na Terra. A alegria que experimentamos na condição de Êxtase origina-se de ter nossos desejos concretizados ou nossos problemas solucionados. Em Êxtase todo nosso ser parece sentir-se “leve”. Nós freqüentemente dizemos que estamos “caminhando no ar”, que “estamos nas nuvens” ou ainda “no topo do mundo”. Nitiren Daishonin caracterizou perfeitamente esta condição ao afirmar em “ O Verdadeiro Objeto de Adoração”, que “ O Estado de Alegria existe no mundo de Êxtase ” ou ainda “ Ser alegre é Ten” .
Conseguir um aumento, apaixonar-se, comprar um carro, curar-se de uma doença, fazer uma nova descoberta - todas essas coisas e muitas outras, possibilitam-nos entrar no mundo de Alegria. As causas para a condição de Alegria são infinitas, assim como seus níveis. Ensinos provisórios descrevem o local onde os seres humanos vivem como o Mundo Tríplice; o Mundo do Desejo; o Mundo da Forma e o Mundo da Abstração ou Deformidade”. Segundo o ponto de vista da Índia antiga o Mundo Tríplice é aquele habitado pelos seres humanos que não atingiram a iluminação. O mundo do Inferno ao de Tranquilidade e parte do Mundo de Alegria estão inclusos no Mundo do Desejo. O Mundo da Forma e da Abstração fazem parte de divisões mais elevadas do Mundo de Alegria. O Vigésimo-sexto Sumo Prelado, Nitikan Shonin, escreveu em seu “Tratado sobre o Ensino Tríplice Secreto”: “Existem seis céus no Mundo do Desejo, dezoito no Mundo da Forma e quatro no Mundo da Abstração”. A afirmação da existência de 28 céus no mundo da Alegria simboliza a grande variedade de alegrias que experimentamos.


O tipo de alegria que experimentamos difere de acordo com o Mundo Tríplice. O Mundo do Desejo compreende todos os cinco mundos inferiores - Inferno, Fome, Animalidade, Ira, Tranquilidade - em adição, parte do Mundo de Alegria. Esses mundos inferiores, como visto em edições passadas estão centralizados nos desejos e sofrimentos inerentes: o desejo pela vida, desejos instintivos, impulsos emocionais e desejos pelo bem - estar social e físico. Em suma, o Mundo do Desejo é literalmente um mundo cheio de desejos e alegria deste mundo é expressada pelo prazer abstrato que sentimos quando as nossas vontades imediatas são satisfeitas. Por exemplo, quando comemos nosso prato favorito, ou comemos quando estamos famintos, o nosso “sofrimento” é aliviado. O Mundo da Forma é um mundo material e físico, onde seus habitantes são livres de desejos, porém, ainda são limitados por alguns tipos de restrições materiais. A alegria deste mundo inclui a sensação de bem - estar, saúde e energia. Nós experimentamos essa alegria após um vigoroso exercício, quando sentimos revigorados ou quando exercitamos nossos talentos naturais. A Alegria no Mundo da Forma é uma felicidade mais profunda do que meramente possuir nossos desejos satisfeitos. O Presidente da SGI, Daisaku Ikeda, afirmou que neste mundo “ o fluxo somático está em harmonia com seu ambiente criando e sustentando eternamente nossa energia vital. È durante esse processo que a força criativa opera para prover alegria ao ser humano”.


A satisfação ou contentamento espiritual caracteriza Êxtase ou Alegria no Mundo da Abstração. A alegria em conduzir uma vida plena, ou de auto - realização e criatividade refere-se ao Mundo de Abstração. A alegria que sentimos na condição deste estado são efêmeras e desaparecem com o passar do tempo ou ainda com a transformação das circunstâncias.
O tempo passa incrivelmente rápido quando estamos envoltos no extase do Mundo da Alegria. Uma hora junto à pessoa a quem se ama parecem minutos, ao passo que na condição de Inferno, poucos segundos podem parecer horas. Um conto folclórico japonês ressalta a rapidez com que o tempo passa. Este conto narra a história de um jovem homem, Urashima Taro, que passa três agradáveis anos sob o mar no “palácio do Rei Dragão”. Quando retorna à superfície ele percebe que 300 anos haviam se passado. Ao abrir uma caixa de jóias que havia ganho enquanto estava sob o mar, transformou-se imediatamente num velho.


Em uma de suas Escrituras, Nitiren Daishonin disse que o período de vida dos Quatro Reis Celestes, que representam o Mundo de Alegria, é de 500 anos, em que cada dia equivale a 50 anos da vida humana. Nós podemos compreender esta vasta extensão de tempo significando que uma incrível quantidade de experiência e realização está contida neste espaço de tempo, digamos, um dia em Alegria. Além disso, nestes termos, um dia em Alegria equivale a cem anos de vida normal.
A obra “Ensinos Tríplices Secretos” de Nitikan Shonin afirma: “ Alegria reside num palácio”. No Mundo de Alegria mesmo nosso mais humilde lar parece um castelo. Nosso ambiente é adaptado à vida humana, nele todos os desejos podem ser satisfeitos, e pode-se desfrutar de uma vida de inteligência, consciência e amor.
Porém, o Estado de Alegria é passageiro. Como o gosto de algo doce, cujo prazer logo acaba. A primeira mordida de um bolo de chocolate causa-nos grande prazer, porém, pela quinta ou sexta vez esse intenso prazer dá lugar a um mero contentamento. Também, freqüentemente vemos ou ouvimos de algumas pessoas que estudaram anos e anos, excedendo em suas áreas e realizando um perfeito trabalho, que pensando nos desafios e considerações da posição que ocupam sentem-se como se estivessem no topo do mundo. Conforme as semanas e meses passam, elas tendem a perder o entusiasmo, considerando o trabalho uma obrigação ao invés de um privilégio. Começam então a buscar um trabalho melhor, e quando encontram um, podem cair no Mundo da Fome, ou Animalidade depositando suas frustações em seus companheiros de trabalho ou família. Deste modo, Alegria assemelha-se a uma fina camada de gelo que cobre uma lagoa. O menor passo em falso poderá nos levar às profundezas gélidas dos Quatro Maus Caminhos. Na realidade, o Budismo descreve o conceito “ cinco tipos de declínio ” inerente no mundo da Alegria que resalta a efêmera natureza de Êxtase. 

O Presidente Ikeda mencionou o seguinte ponto em um de suas orientações: “ Uma pessoa realmente bem sucedida é aquela que pode desfrutar de um livre e irrestrito estado de vida. Aquela que inclina-se ao esplendor transitório do Mundo de Êxtase ou Alegria não pode ser considerada bem sucedida. Conforme ensinado no Budismo, as pessoas no domínio da Alegria experimentam os cinco tipos de declínio. A alegria e sucesso no mundo de Alegria inevitalvemente acabarão assim como as folhas de uma árvore caem no outono”.
Quando perdemos o algo que nos faz feliz, freqüentemente caímos nos Quatro Maus Caminhos. Quanto mais dependemos desse algo que nos faz feliz, mais profundamente cairemos nos mundos inferiores. Isso é o que o Budismo quer dizer com “ O Inferno reside no mundo da Alegria”. Conforme os desejos de uma pessoa são satisfeitos através da prática Budista, ela pode realizar várias coisas em benefício próprio, tornando-se complacente e esquecendo-se de empreender contínuos esforços no campo da fé. Este é o motivo de Nitiren Daishonin ter afirmado: “ Fortaleça sua fé dia após dia, mês após mês. Se enfraquecer mesmo um pouco, demônios aproveitar-se-ão “ (END, vol. I, pág. 304 ).



No topo do Mundo do Desejo está sentado o Demônio do Sexto Céu. Sua alegria deriva de ser capaz de controlar e fazer uso dos outros. Como um vampiro, ele suga a força das pessoas, conduzindo-as à agonia do Mundo de Inferno. O Budismo reconhece que inerente em todo desejo - especialmente no desejo pela autoridade, poder e posse - existe este Demônio do Sexto Céu. Na escrita “Tratamento da Doença”, Nitiren Daishonin diz: “ A escuridão fundamental da vida de uma pessoa manifesta-se como o Demônio do Sexto Céu”. Esta “escuridão fundamental “ da vida é de onde o egocentrismo e a hipocrisia originam-se. O Presidente Ikeda tem afirmado: “A escuridão fundamental da vida humana possibilita transformar o desejo, o eu e a inteligência em força para o mal, e está presente no controle do governo, do capital, dos negócios e da ciência. Esta natureza pode ainda trazer a guerra, poluição e a destruição da natureza”.
Pórem, como seres humanos possuímos o potencial para polir nossa inteligência com benevolência. Com a natureza de Buda inerente em nossas vidas podemos vencer este mal e nos tornar realmente livres e independentes. Devemos constantemente desenvolver essa humanidade e estarmos sempre atentos contra esta influência.


Infelizmente, nossa sociedade ensina que a realização de nossos desejos é a verdadeira felicidade. As pessoas entretanto, anseiam por uma vida na qual as alegrias momentâneas de Êxtase possam de alguma forma tornar-se permanentes. Ensina-nos que atingir o Estado de Alegria é o propósito último e a condição de vida mais elevada. Revistas de turismo tentam-nos com visões de um paraíso atingido através de uma curta viagem de avião. Companhias mostram-nos “ novas ” versões de seus produtos, clamando-nos a descartar dos velhos - ainda perfeitamente utilizáveis. A sociedade tenciona dizer que o que uma pessoa possui não é o suficiente: a verdadeira felicidade é ter algo, ser alguém, é poder estar em algum lugar especial. As pessoas tendem a sentir-se inadequadas ou deslocadas se não podem manter um determinado estilo de vida. A alegria então torna-se o mundo em que as pessoas buscam a ascensão.

Como Budista nosso objetivo não é atingir o Mundo da Alegria mas o da iluminação. Na realidade, Êxtase ou Alegria não se encontra em algum lugar além, mas sim onde estamos agora. Alegria - a satisfação de nossos desejos ou da solução de nossos problemas - é ainda uma parte dos seis mundos inferiores ou seis caminhos. A alegria que experimentamos como budistas provém de nossa prática da fé e do modo de vida que conduzimos. Nossa maior alegria é viver o caminho de Mestre - discípulo, criando valores humanos, e atingindo a iluminação. Nitiren Daishonin afirma: “Não há maior felicidade para os seres humanos, que orar o Nam-myoho-renge-kyo” (END, vol. III, pág. 199).



Como Budistas, naturalmente, experimentamos Alegria também. Porém, compreendemos que este estado é relativo, não se trata da felicidade absoluta. Nós atingimos nossos desejos como prova de nossa revolução humana, a transformação de nosso carma. A solução dos nossos problemas não é a verdadeira felicidade, tampouco a satisfação de nossos desejos. Enquanto desenvolvemos nossa condição de vida através da prática budista podemos desfrutar da Alegria pelo que ela é e não para nos tornar escravos dela, exatamente como Nitiren Daishonin afirma no mesmo Gosho: “Sofra o que tiver que sofrer. Desfrute o que existe para ser desfrutado. Considere tanto o sofrimento como a alegria como fatos da vida, e continue orando o Nam-myoho-renge-kyo, não obstante o que aconteça. Então, experimentará a infinita alegria da Lei”.
Os primeiros seis mundos expostos nesta série, desde Inferno até Alegria, são conhecidos como Seis Mundos Inferiores. Nesses mundos, nosso estado de vida reage de acordo com o nosso meio ambiente. Influências externas regem nossa condição de vida. A maioria das pessoas despendem seu tempo num ciclo através desses seis caminhos, porém o Budismo afirma que estes não constituem a totalidade da existência. Através de esforços conscientes e da auto-reforma podemos experimentar a mais elevada condição de vida, os quatro nobres mundos: Erudição, Absorção, Bodhisattva e Estado de Buda."
Fonte: T.C. nº 271 pág. 44, 45, 46 e 47 de 03/91 Seleção de texto: Doralice e Paulo Bruno. 21/05/97 Digitação - Paulo Bruno.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Estado de Tranquilidade

"Um tratado diz: “ Ser calmo é Nin ”. Esta é uma condição em que a pessoa pode controlar temporariamente seus impulsos e desejos através da razão. Assim, a pessoa passa a ter uma vida calma e em harmonia com o seu meio, que inclui as outras pessoas e o ambiente.
O homem pode ser definido de vários ângulos, mas o Budismo define o homem como um ser no mundo de “ Nin ” (Tranqüilidade). Em resumo, este estado humano Nin é “manusa” em sânscrito, significando “seres pensantes”. Uma passagem de “ Risso Abidonron” diz: “Há oito componentes da propriedade do homem: sagacidade, carácter pessoal, consciência humana, julgamento são, sabedoria, habilidade de distinguir o verdadeiro do falso, ser mais provável para atingir a iluminação, e repleto de causa do passado. Portanto, este caminho humano é chamado “manusa”. A razão, a faculdade contemplativa, a sabedoria e outras estão todas incluídas nestas propriedades que envolvem o homem. Como resultado, podemos compreender que 
Nichiren Daishonin definiu como Tranqüilidade, baseando-se nesta interpretação. 



Nin ou tranquilidade pode parecer a condição mais pacífica, calma e passiva dentre os Dez Mundos. Os Três Piores Caminhos e os Quatro Maus Caminhos são mundos em conflitos, o “Ten” ou alegria é também um estado ativo em que a espiral da alegria está no seu ponto alto. Todas estas condições de vida são consideradas extremamente dinâmicas.
Quando pensamos e analisamos sobre a nossa vida diária, vemos que esta compreende não somente algumas das notáveis ondulações das nossas emoções, mas também momentos muito calmos ou pacíficos. Invariavelmente todos experimentam estados temporariamente sossegados e tranqüilos ao longo do dia, mesmo que passem a maior parte do tempo sendo controlados e influenciados pelas mudanças caleidoscópicas do ambiente. Nin é a expressão mais apropriada para descrever os casos em que estamos lendo um jornal após retornar ao lar do serviço ou uma agradável conversa familiar em meio a uma xícara de café. 



Esta condição de Nin, contudo, pode mudar-se instantaneamente nos Três Piores Caminhos ou nos Quatro Maus Caminhos pelo mais leve desvio de nossas circunstâncias. É essencial, portanto, que conservemos e mantenhamos continuamente as nossas identidades imunes de tais mudanças fenomenais. Devemos refletir ou pensar profundamente sobre nós mesmos enquanto penetramos na sociedade. Então, é possível fazermos decisões precisas sobre vários assuntos. Por outro lado, podemos sublimar este estado de Nin vendo através da sua verdadeira natureza e cultivando-nos para condições mais elevadas e mais superiores. 



Este estado está colocado numa posição central no conceito dos Dez Mundos. Isto porque o Budismo ensina que este mundo de Nin é a condição mais fundamental que tem a possibilidade de se mudar em qualquer um dos outros mundos. O mais importante para nós é melhorarmos e desenvolvermos este estado transitório de Nin para uma condição de energia vital carregada com um brilhante e eterno fluxo de sabedoria. Aqui está a prática da fé no Budismo.
De certo modo, é extremamente difícil perceber a nossa vida e a sociedade tais como são e agir corretamente com calma e mente tranqüila Em contraste, é também muito fácil vivermos à mercê dos desejos instintivos e agirmos pelas emoções. Tal estilo de vida, contudo, só pode aumentar a nossa infelicidade.
A fim de desfrutarmos de uma vida tranqüila digna de um ser humano, os pré-requisitos devem ser razão, uma aguda visão baseada em profunda sabedoria, uma pura consciência para discernir o bem do mal, e um férreo desejo de vencer todas as dificuldades. Adicionadas a estas, as condições intrínsecas para avançar são: a vontade para se desenvolver em direção ao futuro, os sentimentos humanos e outros. 


Certamente, no mundo em que vivemos os valores estão se tornando cada vez mais diversos. No entanto, o ser no estado de tranquilidade tem de ter uma espécie de fundação, ou base, para a existência. Quando ele tem alicerces, pode levar sua vida em paz. O fluxo da existência é suave e o tempo subjetivo passa firme e pacificamente. No estado de Tranquilidade, as energias da vida estão sob considerável controle. A não ser que alguma coisa saia errada, por exemplo, somos virtualmente inconscientes das funções do nosso corpo. No nível espiritual, é necessária grande dose de emoção reprimida ou um grande desejo de perturbar a nossa compostura para que ajamos movidos pelo descontentamento e insatisfação. Tranquilidade é, no todo, um admirável estado."
Fonte: T.C. nº 269 pág 47 e 48 de 01/91
Seleção de texto: Doralice e Paulo Bruno. 17/5/97
Digitação - Paulo Bruno.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Narração do Gongyo em português

O Gongyo que recitamos pela manhã e pela noite é formado por parte do 2º capítulo do Sutra do Lótus, Hoben, e pela parte chamada de Jigague do 16º capítulo, Juryo. 

Junto com o Bruno Padilha produzi uma gravação com a narração do Gongyo traduzido para o português, com o texto do livro "Preleção dos Capítulos Hoben e Juryo", de Daisaku ikeda, mas havia colocado apenas na barra lateral, sem um post específico, o que resolvi fazer agora para facilitar ainda mais a localização da gravação aqui no blog. Para ouvir e/ou baixar, click aqui.
Se quiser acompanhar o texto junto com a narração
click aqui ou aqui.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

The Last Detail legendado

Conforme prometido, coloco agora a versão legendada em português do vídeo de uma parte do filme "The Last Detail" lançado em 1973 estrelado por Jack Nicholson, com participações dos ainda jovens Randy Quaid e Otis Young, além de Gilda Radner. As cenas, entre elas uma reunião de um encontro de discussão de Nichiren Shoshu, com membros da SGI Canadá, foram rodadas na cidade de Toronto e levam a um desfecho bem interessante.



terça-feira, 15 de setembro de 2009

Estado de Ira

"Ira ( Shura ) é o quarto mais baixo estado de vida. Quando combinado com Inferno, Fome e Animalidade são chamados de quatro maus caminhos, porque são essencialmente estados de vida de infelicidade. Embora o mundo de Ira esteja associado com os primeiros três mundos, há uma considerável diferença entre o Estado de Ira e as condições mais baixas de vida. 



No Estado de Ira, as pessoas possuem consciência de seus atos. Nas condições de vida mais baixas, as pessoas são controladas completamente por seus desejos. Elas não possuem nenhum controle sobre suas vidas. Neste estado, contudo, os indivíduos possuem a habilidade de tomar decisões concientes, mesmo baseadas em pontos de vista distorcidos do que é certo ou errado. Enquanto estiverem no mundo da Ira, as pessoas não pensam em outras a não ser nelas próprias. Elas colocam como prioridade máxima o seu próprio benefício ou promovem seus pontos de vista. Neste estado baseado no egoísmo as pessoas possuem o constante desejo de derrubar as outras, para colocarem-se numa posição superior ou mais favorável do que aquelas ao seu redor. A Ira manifesta-se como inveja, ódio e adulação. Aqueles que odeiam outros simplesmente porque são de uma raça ou religião diferente estão sofrendo no mundo da Ira. Quando as pessoas neste estado de vida encontram alguém melhor do que elas, a inveja e o ódio manifestam-se, transformando-se em ira e estimulando-as a atacar outras pessoas. Pensando somente em si mesmas, essas pessoas, se não conseguirem vencer seus oponentes as humilharão para adular e favorecer seu status. 



No Budismo existe o conceito das catorze calúnias ou atitudes que os seguidores do Verdadeiro Budismo devem evitar. Incluídos neste estão o ódio, a inveja e o ato de sustentar o rancor, todos estes, contidos no Estado de Ira. O Gosho declara: “No primeiro volume do Maka Shikan lê-se: ‘Aquele que vive no mundo da Ira, motivado pelo desejo incontrolável de ser superior a outros está subestimando outras e exaltando a si mesmo. Ele é como um falcão rasgando o céu a procura de uma presa. Ele pode mostrar aparentemente grande benevolência, justiça, boa conduta, sabedoria, boa fé e possuir um senso moral elementar, porém o seu coração permanece no mundo da Ira ’ ( Gosho Zenshu, p.430 )”. Em outras palavras, as pessoas no mundo da Ira farão o que acharem necessário para seguirem adiante, mesmo agindo gentil e sinceramente. Mas seu verdadeiro eu é controlado pela presunção e desejos próprios. Ao contrário da Fome, estes desejos são muito mais humanos do que instintivos. Os desejos instintivos que têm sido cumpridos, os quais dão origem aos desejos egoísticos de asserção e busca de outras vaidades transitórias. Ao discutirmos sobre o Mundo de Inferno ( Terceira Civilização, outubro, 1989), foi mencionado que o Estado de Inferno é caracterizado por uma “ira incontrolável e inextinguível.” A ira do Estado de Inferno, entretanto, está em um nível mais profundo do que a auto-consciência. É algo que submerge das profundezas da vida. Além disso, a medida que afeta coisas externas a si - ou seja, destruindo outras - sua natureza conduz os indivíduos por si mesmos, a ruína. A vida no Estado de Inferno não possui liberdade ou força para atacar outras pessoas, ao contrário do estado de Ira. Nichiren Daishonin afirma: “ Ser perverso é ira” (END. I, pág. 57 ). Perversidade aqui indica como o egocentrismo pode distorcer o ponto de vista da realidade das pessoas. Elas não podem ver as coisas logicamente. Elas procuram ver do modo que desejam ver, distorcendo os fatos, incapazes de distinguir o bem do mal. Não possuem também considerações para com outras pessoas. 



Shura é a palavra japonesa correspondente a Ira e é uma abreviação de ashura, que na mitologia Indiana, eram demônios que lutaram constantemente com o Deus Budista Taishaku. Os deuses celestiais, encontram prazer em fazer o bem, mas os ashuras deleitam-se com o mal. As aparências de ashura são feias, porque eles mantém o ódio com relação aos deuses celestiais.
Nichiren Daishonin refere-se a essa parábola sobre tal ser celestial. Ele escreve, “ O arrogante sem dúvida, temerá um forte inimigo. Por exemplo, o insolente Shura, quando reprovado por Taishaku, encolheu-se e escondeu-se em uma flor de lótus num lago frio” (END - I, pág. 197). Uma versão da história diz que a filha de Ashura casou-se com o Deus Taishaku mas tornou-se extremamente ciumenta. Ela influenciou seu pai e este tornou-se enraivecido. Por sua vez, o pai induziu seus soldados que atacaram os homens da Taishaku. Seu ódio, fez-lhe sentir grande como um gigante. Mas quando confrontado por Taishaku, Ashura ficou amedrontado, encolhendo de medo e então fugiu. Tão diminuto ficou que escondeu-se numa pequena flor de lótus. Esta parábola ilustra como as pessoas no mundo de Ira freqüentemente sentem-se superior e melhor do que as outras. Porém, quando confrontadas por alguém realmente superior, elas pensam somente em si mesmas e tornam-se covardes. As pessoas no estado de Ira possuem uma condição de vida limitada e miserável. 



A Ira é uma baixa condição de vida, mas quando baseada na compaixão ou senso de justiça, pode ser usada como uma força positiva. Nossa ira, por exemplo, pode ser a causa para lutarmos contra as injustiças no mundo ou trabalhar por uma boa causa. Além disso, o desejo de não ser vencido pode conduzir-nos a aperfeiçoar a nós mesmos. Por exemplo, se um time de baseball é derrotado pelo rival, uma reação benéfica seria dizer: “ Nós perdemos porque ainda estamos fracos. Vamos praticar mais e melhorar para que possamos vencer na próxima vez”. Mas se o time retorna para casa com um sentimento de resignação, lamentando: “ Nós estivemos terrível. Não há modo de podermos vencer “, o resultado será completamente diferente. Quando algo acontece devemos olhar para nós mesmos ao invés de culpar os outros ou nutrir ressentimentos e ódio. Por outro lado, não haverá um fim para o conflito. Além disso, se a ira escapa de nosso controle, podemos ferir outras pessoas bem como a nós mesmos. A ira em um nível mais amplo é a causa do mais bárbaro ato - a guerra. A menos que substituamos este baixo estado de vida pela verdadeira consideração para com outros, não seremos capazes de libertar este mundo de conflitos. O Presidente Ikeda tem dito que para estabelecer a paz devemos “ construir uma fortaleza de paz dentro do coração de cada indivíduo”. Somente quando as pessoas do mundo todo forem capazes de mudar o ódio e o conflito dentro de suas vidas, com um sentimento de preocupar-se com as outras, o desejo pela paz mundial tornar-se-á realidade. Portanto, devemos continuar a luta pelo Kossen-rufu, propagando amplamente o Verdadeiro Budismo. Então, as pessoas do mundo podem fortalecer o seu Estado de Buda e serem capazes de direcionar a sua ira construtivamente."
Fonte T. C. nº 258 pág. 40 a 42 de 2/90

Seleção de texto: Doralice e Paulo Bruno. 2/5/97

Digitação - Paulo Bruno.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Estado de Animalidade

"O estado de animalidade (tikusho) é o terceiro mais baixo dentre os Dez Mundos. Animalidade, junto a Inferno e Fome, formam o que conhecemos como os “Três Maus Caminhos”. São assim chamados porque são estados de sofrimento. 


É dito no Budismo que as pessoas caem nesse domínio por cometerem más ações. Animalidade é o estado de vida no qual as pessoas são dirigidas unicamente por seus instintos. Elas agem impulsivamente, com irracionalidade e sem moralidade. O critério de suas ações é a luta pela sobrevivência, “a lei da selva”, aproveitando-se dos mais fracos e adulando os mais fortes. Tikusho é um termo geral para animais. De acordo com alguns sutras, se mesmo que as pessoas vivam como seres humanos hoje, se estas vivem a lamentar-se constantemente ou a difamar outras pessoas, ou entregam-se excessivamente aos prazeres sexuais, ou vivem freqüentemente enfurecidas, podem renascer sob alguma forma de animal em sua próxima existência.


Todos os seres humanos possuem o Estado de Animalidade como uma condição potencial de vida. Durante o desenvolvimento do embrião humano, de fato, este passa por estágios que são surpreendentemente similares aos de outros vertebrados. Em um dos estágios é quase impossível diferenciar entre o embrião de um peixe, uma tartaruga, um galo, um coelho e de um homem. Contudo, o célebro humano possui várias funções em comum com muitos outros animais. É formado por três partes ou camadas básicas. A base cerebral ou cérebro anterior controla as funções vitais básicas involuntárias tais como a respiração, batidas cardíacas, o despertar e o adormecer. Ao redor deste está o cérebro médio ou “velho córtex”, que controla o desejo da fome e sede, como também os impulsos sexuais - desejos importantes para a sobrevivência do indivíduo e das espécies. Muitos animais partilham estas duas primeiras camadas de funções cerebrais. Ao redor do velho córtex está o chamado “novo córtex”, o centro de funções exclusivo aos seres humanos. A habilidade para controlar e viver além dos impulsos de um indivíduo por alimento ou sexo é unicamente humana. Agir impulsivamente, guiar-se somente por instinto, é viver como um animal. Pode-se dizer que o modo de vida humano reside em não ser dominado por tais tendências impulsivas. 



Mergulhando no mundo da Animalidade, as pessoas perdem o sentido da razão, e suas emoções são facilmente dominadas pelo mêdo e covardia. Os indivíduos que vivem neste estado de vida, como animais, podem adaptar-se ao seu meio ambiente, mas quando defrontam-se com situações desagradáveis ou estranhas, freqüentemente ficam paralisados pelo mêdo. Não conseguem encontrar uma solução perdendo toda a esperança e resignando a si mesmas ao própio destino. A natureza dos animais é viver o dia a dia. Eles são incapázes de pensar ou planejar adiante. Certamente, alguns animais armazenam alimentos para o futuro, mas esta prática é puramente instintíva, algo sobre o qual possuem pouco ou nenhum contrôle. Eles não possuem sonhos, esperanças para o futuro ou ainda uma direção na vida. As pessoas no Estado de Animalidade seguem o mesmo exemplo. Elas não possuem uma longa perspectiva de suas vidas nem um senso de propósito de vida. Uma gratificação imediata é o mais importante para elas.


O Gosho declara: “A estupidez é o mundo da Animalidade”. A princípio, podemos fazer uma objeção a tal rigorosa descrição porque os animais, apesar de tudo, não empreendem guerras ou poluem o meio ambiente. Vivem em harmonia com o mundo que os cercam e podem obter alimento, encontrar refúgio e proteger-se por si própios. Mas o homem que vive somente por instinto, que não realiza nemhum esforço direcionado a algum sonho futuro, e que somente aspira atingir os desejos imediatos, pode-se dizer que vivem um tolo modo de vida. Em sua “Carta de Sado,” Nitiren Daishonin refere-se à natureza da Animalidade: “Os Peixes em um lago desejam viver em segurança e, deplorando a sua pouca profundidade, cavam buracos no fundo para se esconderem. Porém, iludidos pela isca, mordem o anzol” (END I, pág 194). Sobre esta passagem, o Presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda disse: “ Se viver sob o dominio do instinto, uma pessoa cairá finalmente na ruína”. Em diversos Gosho, Nitiren Daishonin descreve o Estado de Animalidade. Em “O Soberano, Mestre e Pai” ele afirma: “O pequeno é tragado pelo grande, e os menores são comidos pelos maiores, devorando-se uns aos outros sem cessar”. Isto assemelha-se à descrição das práticas modernas no mundo dos negócios. Muitos usam o termo “mundo cão” ao descreverem as táticas usadas para a ascensão social. A frase “o pequeno é tragado pelo grande” indica a sociedade hostil que domina em nossos anos recentes. Em um outro Gosho, “Carta de Sado”, Nitiren Daishonin escreve: “A natureza do animal é ameaçar o fraco e temer o forte. Tomando como exemplo o homem, pessoas emocionalmente sensíveis podem ser consideradas “fracas” perante as ameaças daqueles mais fortes e agressivos.
Um psiquiatra norte-americano descreve uma pessoa sensitiva à pressão ( “pressure sensitive” - PS ) uma pessoa que sofre por ser “fraca”. Ele diz: “Presos num tráfego congestionado, desafiados por um vendedor rude, frustrados por um colega individualista, o corpo de uma pessoa PS rebela-se - a pressão sangüínea sobe, a pulsação acelera, evidenciam-se problemas estomacais e a temperatura cai”. Afirma também que tais tipos de pessoas tendem a agarrar-se à família e ao status e sentem que suas vidas são governadas pelas oportunidades, sorte ou pelo capricho de outras. O estado de Animalidade espalha-se desenfreadamente nos dias atuais. Qualquer um que já tenha dirigido em uma avenida congestionada de uma grande cidade tem uma idéia do que é a lei da selva. As grandes metrópoles são chamadas de “selvas de concreto” onde as quadrilhas agridem outras quadrilhas, porém “protegendo seus componentes”. Traficantes de drogas comercializam seus produtos preocupados somente com si própios e em quanto dinheiro podem obter. Os exemplos são inúmeros. De modo geral, as pessoas parecem cada vez mais preocupadas somente com a sua própria sobrevivência, não importando o quanto isso poderá ferir as outras. Milhares de pessoas não vivem suas vidas, meramente existem. Pode-se dizer que as pessoas abandonadas, sem um lugar para morar, por exemplo, não vivem em outra condição a não ser no mundo da Animalidade. Suas existências sem perspectivas ilustram o estado miserável que caracteriza o estado da Animalidade. Desde que o instinto domina aqueles do Estado de Animalidade, qualquer senso de moralidade é em vão. Realmente, no Estado de Animalidade o nível de moralidade das pessoas está abaixo do de outros animais. Falando a respeito dos reverendos heréticos de seu tempo, Nitiren Daishonin afirma que: “Essas pessoas são tão insolentes que mesmo os animais são mais respeitáveis. Com relação a este fato, o grande mestre Dengyo escreveu que a lontra mostra seu respeito antes de comer o peixe que caçou, o corvo na floresta leva alimento para seus pais e avós, a pomba cuida para pousar três galhos abaixo do de seu pai, os gansos mantém uma formação perfeita quando estão voando juntos, e os cordeiros ajoelham-se para beber o leite de sua mãe. Ele pergunta, se animais inferiores conduzem a si própios com tais características, como pode o ser humano ser tão descortês? (MW I, pág. 261). 


Contudo, apesar de todos os aspectos negativos do Estado de Animalidade, assim como o Mundo do Inferno e Fome, este também possui seu lado positivo. Na verdade, nossos instintos primitivos são essenciais para a nossa sobrevivência como indivíduos e como espécie. A Animalidade também pode ser caracterizada como sendo um dos três venenos, a estupidez. Podemos supor que a definição de estupidez aqui ultrapassa o conceito de ignorância e ingenuidade.
O dito popular “Ignorância é êxtase”, esclarece um dos aspectos positivos da Animalidade. Algumas pessoas podem ser felizes vivendo em ignorância. Na realidade, a ignorância em muitos casos é melhor do que a sabedoria mal intencionada. Do ponto de vista da Lei Mística todos os mundos inferiores possuem aspectos positivos. Os sofrimentos que ultrapassamos podem ser o incentivo que precisamos para revolucionar as nossas vidas. Quando sofremos podemos apreciar os mundos mais elevados, assim como aguardamos a primavera após um rigoroso inverno. Numa análise final, a coisa mais importante é elevar a nossa condição de vida e compreender quão miserável é ser controlado por estes mundos mais baixos, uma condição comum para as pessoas nos Últimos Dias da Lei. Através de nossa prática de recitação do Nam-myoho-renge-kyo ao Gohonzon podemos mudar definitivamente o nosso sofrimento em alegria, o medo sem coragem, incerteza em senso de missão e confiança e o desespero em esperança, tal é o poder do Verdadeiro Budismo de Nichiren Daishonin."
Fonte: T.C. nº 256 pág. 30 a 32 de 10/89

Seleção de texto: Doralice e Paulo Bruno. 12/4/97

Digitação - Paulo Bruno.

Volta das atividades


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