domingo, 23 de janeiro de 2011

Esho Funi - Inseparabilidade da vida e do meio ambiente

"ORIGEM DEPENDENTE

O budismo usa o termo “origem dependente” ( engui ) para descrever relações simbióticas. Nada nem ninguém existe em isolamento. Cada existência individual atua para produzir no ser o ambiente no qual, em troca, mantém todas as outras existências. Todas as coisas, mutuamente apoiadas e relacionadas, formam um cosmos vívido, o que a moderna filosofia poderia denominar um todo semântico.
( “ O Budismo Mahayana e a Civilização do Século XXI ”, discurso do presidente Ikeda na Universidade de Harvard, 24 de setembro. )
O budismo expõe a relação entre a vida humana e seu meio ambiente ( Esho Funi). Um ser vivo e seu ambiente são dois fenômenos independentes, porém unos em sua existência fundamental.



DEFINIÇÃO

Literalmente, Esho Funi tem o seguinte significado: Esho é a combinação das primeiras sílabas de E-ho e Sho-ho. Shoho denota o sujeito, dotado de vida, ou algo que realiza as atividades associadas à vida. Eho denota o objeto que apóia o shoho. Portanto, Shoho são os seres vivos e Eho o seu meio ambiente. O primeiro pode ser comparado ao objeto, e o segundo à sua sombra, sendo portanto evidente a impossibilidade da existência isolada de qualquer deles.
Funi significa dois como fenômenos, porém, não dois como números. Esho Funi significa que um ser vivo e o seu ambiente são dois fenômenos independentes, porém unos em sua existência fundamental. É inegável o fato de o homem e o seu ambiente serem inseparáveis; porém, o Esho Funi não é uma mera explicação da relação inseparável entre os dois. Significa sim, que um ser vivo e o seu ambiente formam uma vida única e completa, nenhum pode existir separadamente.


VIDA E AMBIENTE

Uma passagem das escrituras budistas diz: “ Sem a vida, o meio ambiente não pode existir....”, ou seja, a vida e seu ambiente são dois aspectos integrantes de uma mesma entidade. O ambiente, que abarca todo fenômeno universal, não pode existir exceto numa dinâmica relação com a atividade internamente gerada da própria vida.

“ Cada vida é individual e, enquanto se manifesta neste mundo, a existência particular formada simultaneamente configura um meio ambiente com o qual seja compatível. Para ver a verdade disso basta olhar as circunvizinhanças de uma pessoa particular, pois - nesse meio - podemos distinguir claramente todas as inclinações e características da sua vida. Se tentarmos imaginar um ser humano sem meio ambiente, não estaremos falando de nada, configurando-o misticamente.



CONDIÇÃO DE VIDA

“ Na medida que a vida estende sua influência à circunvizinhança, o meio ambiente automaticamente muda de acordo com a condição da vida. Então, o meio ambiente - que é reflexo da vida dos seus habitantes - sempre adquire as características dos que nele existem.”
( Vida - Um Enigma, uma Jóia Preciosa, pág. 173.)


AMBIENTE: REFLEXO DA VIDA

Conforme o exposto acima, uma pessoa que vive em meio à guerra e agonia nunca poderá dizer que se encontra no estado de Alegria, ou vice - versa. A condição interna da vida de uma pessoa manifesta-se em seu ambiente ou, o ambiente reflete a vida de quem o habita.


HARMONIA

Nesse contexto, podemos concluir que a harmonia é um fator essencial para a vida. Assim, a questão mais importante é gerar essa harmonia através das fontes de energia e sabedoria existentes dentro de nós, tendo como base o respeito pela dignidade da vida.
Desenvolver ou fazer reflorescer o respeito, a amizade, o amor, etc., sentimentos essenciais para a relação homem / homem, homem / ambiente, é essencial para que se possa criar essa harmonia."


Fonte: T.C. nº 304, págs. 33 e 34 de 12/93;
Seleção de texto: Doralice e Paulo Bruno

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Parábola dos Crocodilos Mansos

Olhem que legal! Esse é um texto de uma amiga de twitter, @sambanatty. Ela escreveu esta parábola baseada num sonho que eu teve e eu fico mais que feliz em compartilhar com vocês.

Parábola dos Crocodilos Mansos

Certa manhã, Galcaia pegou o metrô rumo a uma pequena cidade prolífera em natureza. Ao chegar, se deparou com um sublime local arborizado onde havia um grande rio de águas rasas em um tom verde-cristalinas.

Foi andando rumo às montanhas de Sakyamuni que Galcaia teve que enfrentar um pequeno caminho onde haviam crocodilos perigosos. Ela estava tão determinada a chegar nas montanhas, que não se deixou abater pelo obstáculo. Atravessou o riacho apoiando-se em pedras até se livrar do perigo.

Chegando àquele lugar celestial, Galcaia se surpreende com a presença de Shari-Hotsu, que se aproxima dela e diz:

- Bem-vinda às montanhas de Sakyamuni.

- Vim meditar no propósito de atingir a iluminação – disse Galcaia – Sakyamuni nos ensinou que nenhum dos homens de erudição ou absorção é capaz de compreender a sabedoria dos budas.

No alto daquela montanha, a menina sentou-se na posição de Lótus e começou a recitar o Nam-Myoho-Renge-Kyo. Após atingir a tão almejada iluminação, Galcaia levantou-se serenamente de sua meditação e dirigiu-se a Shari-Hotsu dizendo:

- Até breve, Shari-Hotsu! Agora vou embarcar de volta a minha origem e expor os ensinamentos de Sakyamuni aos meus iguais.

Ao retornar, Galcaia teve que enfrentar o mesmo trajeto, porém dessa vez não temeu ao saber que teria que passar pelo caminho dos crocodilos. Quando ela deparou-se com os mesmos, todos estavam aparentemente tranqüilos. Ao apoiar-se na primeira pedra, Galcaia abaixou-se e acariciou a cabeça do animal. Assim como os demais, aquele estava manso e sereno. Todos os crocodilos se aproximaram dela com serenidade, e enquanto ela os acariciava, sentiu em seu coração que a iluminação obtida é tão imensurável a ponto de abrandar a ferocidade de um animal.

Ilustração - VPadin


sexta-feira, 29 de outubro de 2010

A lei geral de causa e efeito e a lei da causalidade

Hoje posto um tema excelente que foi estudado na reunião do meu bloco Tema: a diferença entre a “lei geral de causa e efeito” e a “lei da causalidade” exposta por Nichiren Daishonin.

"O que diz o Gosho

Comecemos com uma famosa frase do escrito “Carta de Sado”: “Aquele que escala a montanha, mais cedo ou mais tarde, terá de descê-la. Aquele que despreza o outro, será desprezado [...]. Essa é a lei geral de causa e efeito”. (Os Escritos de Nichiren Daishonin, vol. 5, pág. 25.)

No trecho acima, por meio de raciocínio compreensível a todos, o Buda Nichiren Daishonin demonstra a visão convencional da lei de causa e efeito. Mas, continuando a leitura do mesmo Escrito, no trecho seguinte encontraremos uma frase intrigante: “No entanto, meus sofrimentos não se atribuem a essa lei causal”. (Ibidem, pág. 26.)

Sobre os dois trechos acima, o presidente Ikeda explana: “As ideias budistas convencionais sobre a retribuição cármica, segundo as quais nossos efeitos negativos do presente são o resultado de nossas más causas anteriores, e os efeitos positivos são o produto das boas causas realizadas no passado, na realidade não constituem um princípio de transformação cármica”. (Terceira Civilização, edição no 502, junho de 2010, pág. 49.)

Por que?
“Isso porque para se erradicar todas as causas cometidas no passado, uma a uma, seria preciso um tempo inconcebivelmente longo.” (Ibidem.)

“Em ‘Carta de Sado’, Daishonin salienta que essa visão sobre a retribuição cármica se baseia na ‘lei geral de causa e efeito’. De modo implícito, ele diz que o seu budismo não se baseia nessa causalidade geral.” (Ibidem.)

Um choque de realidade

“Em contraste, a causalidade geral dos ensinos pré-Sutra do Lótus opera com base no princípio da não-simultaneidade de causa e efeito. Como a eliminação de incontáveis faltas cometidas em existências passadas levaria um tempo inconcebível, a transformação do carma nesta existência acabaria sendo algo impossível.” (Ibidem, pág. 52.)

O Budismo Nichiren não é pessimista

A intenção de Nichiren ao explicar sobre a lei de causa e efeito e o carma é apresentar um meio prático de transformação da nossa realidade por meio da manifestação do estado de Buda. Todos têm o estado de Buda; a questão é como manifestá-lo na vida real, e o mais importante: agora!

Vamos raciocinar

O objetivo é transformar. Se a “lei geral de causa e efeito” for a base da nossa vida, a transformação é impossível. Exatamente por isso, ela não corresponde à visão de Nichiren Daishonin porque só conduz a um pensamento pessimista e não transforma. Então, o que fazer?!

A causalidade da Lei Mística

A resposta de Nichiren é a causalidade da Lei Mística. O presidente Ikeda explica: “A causalidade para atingir o estado de Buda" implica eliminar o mal fundamental e manifestar com vigor o estado de Buda — a nona consciência — que existe na essência da vida. Esta é a "causalidade da Lei Mística" implícita no Sutra do Lótus; ou seja, no Nam-myoho-renge-kyo”. (Ibidem).

Como funciona a causa e efeito da Lei Mística?

“Mesmo que neste momento estejamos sofrendo devido a alguma retribuição cármica, se nos basearmos na causalidade da Lei Mística, manifestamos imediatamente o vasto estado de vida de Buda. Isso quer dizer que só podemos transformar realmente nosso carma por meio da Lei Mística da simultaneidade de causa e efeito.” (Ibidem.)

Como viver essa lei na prática?

A maneira de viver essa lei não é outra senão a prática do Shakubuku. O presidente Ikeda continua: “Nichiren esclarece o tipo de prática budista que nos possibilita realizar causas positivas fundamentais. Essa prática não é outra senão o Shakubuku — a refutação do errôneo e a revelação do verdadeiro — especificamente expressa como ‘denunciar os inimigos do Sutra do Lótus’, um ato que incorpora a causalidade da Lei Mística e que nos permite transformar o carma.” (Ibidem.)

Shakubuku

“‘Se Nichiren está fazendo a mesma causa que o Bodhisattva Jamais Desprezar, como seria possível ele não se tornar um buda igual a Shakyamuni?’, pergunta a si mesmo Daishonin pelo bem dos discípulos. A frase indica o princípio da unicidade de mestre e discípulo. Em outras palavras, nós também podemos, infalivelmente, atingir o estado de Buda se seguirmos o exemplo de Daishonin e triunfarmos sobre nossas adversidades, e mantivermos firmemente a prática do Shakubuku: refutar o errôneo e revelar o verdadeiro.” (Ibidem.)

Shakubuku - II

A prática do Shakubuku é a ação de realizar o Juramento Seigan de um Bodhisattva da Terra. Ou seja, cumprir a missão de lutar em prol da felicidade de outras pessoas. E, justamente esta ação corresponde a viver com base na “causalidade da Lei Mística”.


Causalidade de mestre e discípulo

O presidente Ikeda avança no tema e apresenta a “causalidade de mestre e discípulo” — ter a mesma conduta que o Mestre — como a chave para a transformação total do carma.

Causalidade de mestre e discípulo - II

“É natural que nossa vida pareça bem diferente da vida de um grande predecessor como o Buda Nichiren Daishonin. Isso é perfeitamente lógico já que somos indivíduos diferentes, cada um com as próprias circunstâncias, personalidade, capacidade e subjetividade. No entanto, se fizermos o mesmo tipo de causa que os corajosos devotos do Sutra do Lótus do passado realizaram, ou seja, se mantivermos o mesmo curso de ação e a mesma prática que eles, poderemos obter os mesmos efeitos ou resultados. Esta é uma forma de ver a causalidade baseada no caminho do mestre e do discípulo.” (Ibidem.)

A revolução do budismo

A grande “sacada”, ou a grande revolução do budismo, é ter a mesma conduta do Mestre. Mas como fazer isso?

Conclusão

O presidente Ikeda ensina: “Embora os discípulos se sintam totalmente diferentes do mestre em termos de sabedoria e de benevolência, enquanto mantiverem o mesmo compromisso, os mesmos ideais e esforços abnegados que o mestre poderão, sem falta, desfrutar um estado de vida tão sublime e vasto quanto o do mestre. Esse é o caminho para atingir a iluminação com base na unicidade de mestre e discípulo que pulsa no Sutra do Lótus.” (Ibidem)."

Fonte Terceira Civilização - Edição 511 - 19/03/2011 - Pág.52 - Os Encantos da Filosofia Budista - Para iniciantes

domingo, 24 de outubro de 2010

Lotus Sutra of the Wonderful Law

Há uns dias me deparei mais uma vez com um vídeo da música Lotus Sutra of the Wonderful Law de Nestor Torres, com o Gongyo e o Daimoku no fundo.
Já havia visto essa versão que mostra imagens que não lembram em nada o Budismo Nichiren, ou a qualquer outra linhagem do Budismo, pois foi montada com fotos de mesquitas, muçulmanos, mulheres em burcas e até a figura de cristo num vitral!
Como bom budista em vez de reclamar, parti para a ação e fiz uma nova edição de um slide show para essa lindíssima música.
Espero que gostem dessa versão e usem-na para propagar a Lei Mística, ou a Wonderful Law, como chamou Nestor.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Roots Of Wisdom - Alan Smallwood

Posto hoje aqui um clip que usei numa reunião de palestra do meu bloco, que traduzi e coloquei no You Tube para ser compartilhado por todos. A música se chama Roots of Wisdom , de autoria de Allan Smallwood, que lançou um disco com canções instrumentais incorporando a recitação do Nam-myoho-renge-kyo. Para mais detalhes entre no site dele www.alansmalwood.com, onde você pode encontrar mais informações, ouvir trechos das músicas e até comprar o disco.



domingo, 5 de setembro de 2010

Daimoku: remédio para felicidade

"Fórmula: Nam - Myoho - Renge - Kyo
Indicações: Problemas de saúde, dores em geral, desarmonia familiar, dificuldades profissionais e financeiras, tristeza, angústia, etc... Posologia: Recomenda-se para casos leves 20 min. de Daimoku dia e para os casos mais graves 60 min. de Daimoku ao dia.
Precauções: O tratamento não deve ser interrompido, até que os resultados sejam obtidos.
Efeitos Colaterais: Durante o tratamento poderão surgir ataques de maldade , sob forma de preguiça, sono,etc... que desaparecerão com o uso regular do medicamento.
Responsável pela fórmula: Nitiren Daishonin
Prazo de validade: Eterno"
Agradecimentos a Luciane Freitas, membro da BSGI.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Em Portland...



Vindo a Portland, EUA, a trabalho, consegui dar uma passada no Centro Cultural aqui da área, onde participei de uma reunião de Chakubuku e até tirei uma foto com a Men's Division, a nossa DS.